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segunda-feira, 7 de maio de 2007

Salve Jorge... Mautner - A Psicodelia Kaótica com K


Eu sou doidão, eu sou doidão
Eu sou doidão, doidão, doidão
Mas tenho bom coração
Bão ba la lão, bão ba la lão
Ah, me esqueci do resto da canção
Que papelão
("Doidão" - Jorge Mautner)


Virada Cultural - PARABÉNS para a organização da Virada Cultural. Apesar da Globo ter enfatizado o episódio Racionais MCs, o recorte foi mais do que injusto. A cidade estava linda, as pessoas estavam na rua, o Centro de São Paulo estava irreconhecível. Todos respirando arte - todos os tipos de arte. Muito bom! Quem foi, e circulou, concordará. A Sampa romântica da canção...

Bom, voltando ao tema do post: Jorge Mautner

*estamos marcando entrevistas com nomes que não fazem parte da nossa lista de personagens, mas que de alguma forma estão relacionados ao pensamento e à arte psicodélica, para uma parte de depoimentos do livro*

Domingo pós-primeira-rodada de shows, 6 de maio, 8h30 - sim... CEDO. Pouquíssimo tempo de espera e eis que sai do elevador, Jorge Mautner. Instrumento em mãos e mala pronta para embarcar, mas sem antes dar uma simpática entrevista...

Encantador. De inteligência única. Entrei no hotel com receio e saí apaixonada...rs... Brincadeiras à parte, Mr Mautner definiu o indefinível como poucos, apresentou uma nova abordagem da psicodelia - até então pouco explorada por nós, filosofou, e enfim definiu-se como Psicodélico Kaótico com K. Aqui, alguns trechos... o resto... só no livro!

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"Tudo que existe em um lugar reflete no outro. Esse novo movimento [a psicodelia] nada mais é que um novo existencialismo, uma afirmação da liberdade feminina e todas as condições que hoje se fala dos direitos humanos. Eu acho que é o ápice do romantismo na indústria. É o rock sem fronteiras, com musica erudita, etc. Aqui já se romperam as barreiras com a liberdade." J.M.

Neste bate-papo, Mautner faz questão de enfatizar a importância da imagem no contexto psicodélico. Para ele, a psicodelia tem a "missão" de exprimir, tornar paupável, os sentimentos, as imagens, as sensações causadas pelas alucinações psicodélicas estimuladas pelo LSD, pelos cogumelos, mas principalmente pelo espírito romântico.

Interessado no assunto e tentando explicar seu ponto de vista, pergunta quais bandas vamos abordar no livro... Tenho um papel com todas elas anotadas, confesso, para não esquecer... Ele olha...

"Ahhhhhhh... pela lista vc já tem aí... olha só, Som Imaginário, né? O nome já diz e muito. Os outros do nordeste... deixa eu ver aqui... isso! O Ave Sangria! As imagens e os temas deles... O Lula Côrtes e o Zé Ramalho... imagina... é isso: é esse romantismo que tem algo de exaltação, de pirataria, mas tem uma grande preocupação com a harmonia, uma preocupação com a linha, com o equilíbrio, e tb é uma coisa muito trabalhada, o psicodelismo... ele tem ... embora seja muito de irradiar emoções, sons, sensações ele tem uma preocupação muito grande organização tb, uma meticulosidade... em todos eles vc vê."

Sim, ele sabia do que estava falando! Se pararmos para observar as músicas do Ave Sangria, ouvir, sentir a canção, criamos as imagens perfeitamente na cabeça. O apelo visual da banda, tanto nas capas coloridas, quanto nos shows performáticos... Entendemos direitinho a interpretação de Mautner em relação à psicodelia.

"[O Ave Sangria] Tem uma pulsação vital muito forte. Elas já não são músicas depressivas, elas indicam o caminho da alegria - mas uma alegria que ainda não precisa ser só gargalhada... solar... pode ser até uma alegria melancólica, nesse clima de romantismo, impressionismo. Mas eles [os psicodélicos] ainda tem uma preocupação de grande harmonia. Finalizar, de enquadrar direito. Todos eles são muito claros, na intenção"

Mas afinal Sr Jorge, é isso aí? De onde vem essa loucura romântica?

"Cada geração tem que reconquistar a sua liberdade, então sempre vai surgir a novidade... que é a somatória lá de tras né, da pré-história, da nossa história, revoluções transformadas em arte e comunicação, se transfromando continuamente... aliás o Brasil é o exemplo máximo disso por causa da amálgama. "

Tá, ok, entendido!

Falamos de classificações, de definições e ao contrário do que a grande maioria prefere fazer, simplesmente dizer que classificar é errado, ruim, ele filosofa. Classificar, em sua visão, é um jeito de aprofundar e organizar. Desde que não exista a necessidade de se prender aos rótulos, todo tipo de definição é válida. "A classificação é uma tentativa preponderante racional de tentar interpretar a emoção que aquele fenômeno está te despertando. E na profundidade tudo tá parado e em movimento ao mesmo tempo. E na visão intuitiva dessa arte psicodélica você já tem essa junção... como arte", encerrou.

Palmas para Jorge Mautner!

Para quem não conhece... CONHEÇA! www.jorgemautner.com.br

Para os que conhecem e queiram ver... ANTES E DEPOIS:

Jorge Mautner na década de 70, cantando Guzzy Muzzy, do disco homônimo de 1974

Jorge Mautner e seu fiel parceiro Nelson Jacobina recém cantando "Herói das Estrelas"

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Virada Cultural Psicodélica e muito mais!


People!

Eis que nos aproximamos de uma data importantíssima no calendário paulistano... Mas calma! quem não estiver na terra da garoa não precisa amargar a ausência... mais pro final do post tem presentinho para os que estiverem de bobeira na internê no fds!

Neste fds vamos correr atrás de depoimentos de alguns figurões da música tupiniquim... encontros marcados com Serguei, Jorge Mautner; encontros quase marcados com Alceu, Moraes, Naná, Macalé... vamo que vamo!

Virada Cultura Psicodélica!

São Paulo se prepara para mais 24 horas ininterruptas de arte e cultura. Marcada para os dias 5 e 6 de maio, a 3ª Virada Cultural promete atrações para todas as idades e gostos em novos palcos além dos já conhecidos dos paulistanos que foram às ruas nas duas primeiras edições, em novembro de 2005 e maio de 2006. Alceu Valença abre o evento na Praça da Sé, às 18 horas, e a festa só termina 24 horas depois, com Zélia Duncan, no Boulevard São João. A iniciativa é da Prefeitura de São Paulo, com realização da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com a SPTuris, Secretaria de Estado da Cultura e SESC.

A programação será concentrada em pólos, com grandes atrações distribuídas por todas as regiões da Cidade. Serão cinco palcos no Centro (Sé, Boulevard São João, Anhangabaú, Vieira de Carvalho e Barão de Itapetininga) com temáticas diferentes (MPB, rock, música clássica, romântica e dança) e outros quatro em pontos estratégicos: Guaianazes (Zona Leste), Pedreira (Zona Sul), Parada de Taipas (Zona Oeste) e Parque da Juventude (Zona Norte).

Os 26 CEU's entram na Virada 2007 com força total. Os shows terão formatos especiais. Pais e filhos famosos se apresentam juntos e haverá shows interativos, com bate-papo envolvendo a platéia durante e depois das apresentações. Entre as atrações já confirmadas estão Mônica Salmaso, Davi e Moraes Moreira, Zé Geraldo e Nô Stopa, Theo de Barros e Ricardo de Barros, Jorge Mautner, Geraldo Azevedo e Naná Vasconcelos.

E o PSICODELIA BRASILEIRA está mais do que representado e RECOMENDA
algumas atrações. Pessoas que fizeram, de alguma forma, parte do cenário psicodélico, de contracultura, de experimentalismo. São elas:

PALCO PRAÇA DA SÉ
18h - Alceu Valença tocando o álbum Espelho Cristalino 1977

PALCO BOULEVARD SÃO JOÃO/ANHANGABAÚ
18h- Aguiar e Banda Performática
22h- Sergio Dias
16h- Moraes Moreira e Armandinho tocando o álbum Cara e Coração 1977

PALCO BARÃO DE ITAPETININGA
19h45- Tutti Frutti
21h30- Serguei
23h15- A Patrulha do Espaço
1h- Made in Brazil

TEATRO MUNICIPAL
3h - Jards Macalé (Farinha do Desprezo 1972)

CEU ALVARENGA
19h -Jorge Mautner (aula show)

CEU ARICANDUVA
17h- Naná Vasconcelos (aula show)

CEU CAMPO LIMPO
18h- Geraldo Azevedo

CEU CASA BLANCA
19h- Davi e Moraes Moreira

CEU PQ VEREDAS
18h- Tom Zé

CEU VILA ATLÂNTICA
22h- Nana Vasconcelos (aula show)

Para os não-paulistanos... Um filme!

Ritmo Alucinante, filme de Marcelo França, traz os melhores momentos do Festival Hollywood Rock, realizado no Rio de Janeiro em 1975 por iniciativa de Nelson Motta, um dos primeiros festivais de rock no Brasil, mas oficialmente, não se reconhece como o primeiro Hollywood Rock. O show histórico, gravado no campo do Botafogo em qualidade razoável traz Rita Lee & Tutti-Frutti, Vímana (que não pode continuar a tocar todo o repertório devido a problemas de aparelhagem), O Peso, Erasmo Carlos, Celly Campelo e Raul Seixas.