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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Seis mil!

Que alegria!

Alcançamos a marca de seis mil visitantes. Quando começamos o blog, há sete meses, tínhamos alguma pretensão megalomaníaca, mas nem tanto. Além dessa marca considerável, o trabalho vem despertando interesse de muita gente bacana no mundo da música.

Agora, é a reta final - e isso implica mil brigas, falta de tempo e até falta de tesão, às vezes. Como todo mundo, acabamos deixando várias coisas pra última hora e, agora que faltam dois meses pro prazo final, começa a bater o desespero. Já temos três capítulos escritos, mais três em processo de confecção, a todo vapor. Apesar do sufoco, está sendo uma delícia ler as entrevistar e transformar todo o material bruto, de conversas non-sense, em histórias gostosas.

O Welington, o orientador, disse que precisamos escolher entre um estilo mais crônica, focado na vida particular dos entrevistados, nas histórias, ou um estilo mais reportagem, com dados e contextualização. Pela grande dificuldade em conseguir esses dados, e pela enorme riqueza de histórias de nossos personagens, acho que vamos partir para a crônica.

Agora falta pouco. É a parte mais foda, mas estamos sobrevivendo. Ainda faltam entrevistas importantes - tá sendo quase impossível marcar uma entrevista com Arnaldo Baptista. A dita "corte" que o cerca tá empatando a questão. Não sabemos como vai ser, vamos tentando. Fora isso, praticamente todos os capítulos estão com as entrevistas finalizadas. É muita coisa!

Para comemorar a nossa sobrevivência, o sempre feliz Mopho:

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Novidades

Após um longo e sofrido inverno, volto a postar para justificar o silêncio. Amanhã, entregaremos 50 mil toques do livro - por isso, estamos todas loucas, corridas, psicodélicas e estressadas. Sem tempo para contar as novidades por aqui. Mas, semana que vem, prometemos um trechinho do livro!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Notícias

* O grupo está mergulhado em provas, trabalhos e infindáveis textos pra ler. Sim, no último ano, além do tcc, temos outras disciplinas. Nesta e na próxima semana, infelizmente, pensaremos menos do que gostaríamos em psicodelia.

* Em breve, estarão no blog mais trechos das entrevistas com o Luís Calanca e, finalmente, os papos com Fernando Rosa, Nelson Motta, Luís Carlos Maciel e Ezequiel Neves. São muitas horas de gravação, e as transcrições estão correndo meio devagar...

* Graças ao eficientíssimo assessor Maurício, ao que tudo indica, Ronnie será entrevistado ainda neste mês. Extra-Gazeta.

* Só pra lembrar dos tiozões doidões... :

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Burocracia


Caramba! É mais fácil ir até o Rio de Janeiro e passar uma manhã na casa do Nelson Motta do que se encontrar com Ronnie Von, que trabalha no mesmo prédio da faculdade!

Incrível!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Suficiente, com restrições - um pouco de Ronnie Von

Neste post: 1º Parecer do nosso TCC/ 2º Um pouco mais sobre Ronnie Von/ 3º tributo Ronnie Von - entrevista com a idealizadora do projeto


A Faculdade Cásper Líbero tem uma política estranhíssima de avaliação de Projeto Experimental. Para podermos, teoricamente, começar a fazer o TCC nosso pré-projeto deve ser avaliado por um parecerista - que deve ser escolhido por sorteio (vcs entenderão o porquê disso a seguir) e este diz se o seu trabalho é consistente o suficiente para seguir no processo.

Nosso parecerista foi nosso professor no segundo ano. Ele é jornalista com mais de duas décadas de atividade profissional, foi editor de assuntos internacionais da Veja, da Época e da Folha de S. Paulo. Também foi editor da Superinteressante e Exame. Ele leciona na Cásper desde 1997. O "diagnóstico" dele foi: Suficiente, com restrições. Não vamos colocar todo o texto, mas resumindo, ele disse que optamos por um caminho “original”, fez algumas considerações favoráveis, outras não, e disse que quer ler nossas histórias. Ok. Mas eis o inesperado:

"Posso estar enganado nas minhas observações, mas sinto que que (sic) as autoras não pesquisaram o assunto com devida profundidade. Ronnie Von, por exemplo, nunca teve nada a ver com tropicalismo, psicodelismo (sic) ou qualquer coisa do gênero. Ao contrário, no linguajar da época, o "Pequeno Príncipe" era a caretice em pessoa (um traço que ele preserva até hoje...)".

Infelizmente, o professor responsável por avaliar o nosso projeto está enganado em suas observações. Ele aprovou, ok, e ele tem o direito de fazer suas considerações. Mas o professor ecoou o senso comum sobre o Ronnie Von. Era ele quem deveria pesquisar um assunto ao assumir a responsabilidade de avaliar um projeto.

***

Um pouco de Ronnie Von

Em meados da década de 60, Ronnie Von era apresentador do programa "O pequeno mundo de Ronnie Von". Exibido pela Record aos sábados, o programa era a alternativa da juventude ao "Jovem Guarda", programa de Roberto, Erasmo e Wanderléa, que ia ao ar aos domingos. O programa de Ronnie abria espaço para novas bandas. Ali tocaram pela primeira vez Os Mutantes, que acabaram sendo apadrinhados pelo apresentador. Quando apareceram, não tinham nem nome e foi Ronnie quem apresentou a sugestão (a idéia foi de outro produtor), baseada em um conto de ficção científica que ele, Arnaldo, Sérgio e Rita gostavam.

"Ronnie Von", 1967: a capa, a participação de Liminha e Cozzela
não negam a psicodelia e a influência da tropicália

Em 1967, ele lançou “Ronnie Von 3”. Foi sua primeira incursão no mundo da experimentação sonora. Em lua-de–mel com a tropicália, o disco foi gravado com Os Mutantes, os Beat Boys (os argentinos que acompanharam Caetano em Alegria, Alegria, no festival da Record), e teve os arranjos do maestro Rogério Duprat. Caetano Veloso, inclusive, participa do disco na faixa "Meu bem", dividindo os vocais com Ronnie.

No mesmo ano, com Os Baobás, foi lançado “Ronnie Von”, disco com a participação de Liminha, que mais tarde se tornaria baixista dos Mutantes, e arranjado pelo mestro Damiano Cozzela, da mesma escola de Duprat. A produção do disco e a capa não negam a influência psicodélica de Ronnie. Nesse disco, está a clássica “Silvia 20 horas, domingo”, regravada com sucesso pelo Vídeo Hits. “A Misteriosa Luta do Reino de Passassempre Contra o Império de Nuncamais” [existe título mais psicodélico que esse?], de 1969, e “A Máquina Voadora”, de 1970, apresentam já referências progressivas – anos antes delas entrarem na moda, em meados da década, com Módulo 1000, Vímana e os próprios Mutantes.

Antecipando o progressivo: capa do disco "A Misteriosa Luta do Reino de Passassempre Contra o Império de Nuncamais", 1969

Pela sonoridade diferente, esses discos foram uma vírgula na carreira de Ronnie. Não fizeram sucesso e ficaram esquecidos por décadas. Isso explica, em parte, a opinião baseada no senso comum do nosso professor.

***

A jornalista Flávia Durante, apaixonada pesquisadora da fase psicodélica de Ronnie Von, está fazendo um intenso trabalho de divulgação daqueles discos. Em 2004, surgiu a idéia de fazer um tributo à Ronnie, só com bandas novas. Muitas bandas abraçaram a idéia e, há poucas semanas, a coletânea saiu do papel. Em entrevista, ela fala mais sobre o trabalho.

Você conheceu a fase psicodélica do Ronnie com o Video Hits. Como foi a pesquisa para achar os outros discos?
Com o bom e velho Soulseek! Tenho um vasto material dessa fase do Ronnie que peguei por lá. Mas vou comprar todo o catálogo que está sendo finalmente relançado pela Universal!

Porque essa fase obscura do Ronnie caiu no esquecimento?
Porque a imagem do Ronnie ficou muito associada à fase brega, de "Cachoeira" e tal.

Como foi viabilizado o projeto da coletânea?
Tudo na fé e na boa vontade dos amigos! A idéia surgiu na comunidade sobre o cantor que criei no Orkut em 2004. Muitas bandas se empolgaram com a idéia e logo se ofereceram mas depois sumiram! Então tive que recomeçar todo o cast do zero. Selecionei as bandas, cobrei a entrega dos prazos, revisei os textos, separei os contatos, procurei um servidor gratuito, implorei aos amigos por um design na brodagem... Por isso demorou tanto pra sair. O site Recife Rock ofereceu a hospedagem e o belo design foi feito pelo gaúcho Gabriel Von Doscht, que também participa do tributo com a banda Os Vilsos.

Como foram selecionadas as bandas participantes? Elas conheciam as músicas?
Algumas se ofereceram na própria comunidade e outras eu convidei. Algumas não conheciam muito o trabalho dele dessa fase mas quando fiz o convite se interessaram e viraram fãs na hora.

O que o Ronnie Von acha da coletânea?
Mantenho contato com o Léo Von, filho do Ronnie, pelo MSN, o conheci pelo Orkut. Quando o site ficou pronto mostrei pra ele, que logo mostrou pro pai! Diz o Leo que o pai adorou o resultado! Mas antes, quando ele soube da idéia, já havia ficado muito emocionado! A maior ressentimento de sua carreira era não ser reconhecido pela qualidade de seu trabalho. Felizmente agora esse erro terrível está sendo sanado.

Saiba mais e baixe os dois volumes da coletânea: www.ronnievon.com.

***

Tomara que nosso professor avaliador mude de idéia.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Enfim, o plano!


Pra quem quiser saber... este é o plano!



Pré-projeto
Geração Bendita/ Cê tá pensando que eu sou Loki, bicho?
A história obscura da psicodelia brasileira

Aline Maria Ridolfi
Ana Paula Tomasinni Canestrelli
Tatiana Kudrjawzew de Mello Dias
4o JO C

Orientador
Prof. Wellington Andrade

Psicodélico
Psico + el. Delo

Psic (o): do grego psukhe.
1. alma, em tempos conexos com a religião e a metafísica
2. Espírito, princípio pensante, atividade mental
Delo: do grego Delos.
Visível, claro, manifesto, evidente

1. Que produz efeitos alucinógenos (p. ex, o LSD)
1.1. Relativo a esse efeito
2. Diz-se da produção intelectual elaborada sob o efeito de um alucinógeno
3. p. ext. diz-se de qualquer produção intelectual que se assemelha ou procura imitar as obras criadas sob efeito de alucinógeno

Louco (adj.): afetado por um alto grau de independência intelectual.
(Ambrose Bierce)



1. Delimitação do Assunto:

O presente trabalho tem o objetivo de levar ao conhecimento do público um gênero pouco explorado da música nacional: a psicodelia. Serão apresentadas bandas e personagens que constituíam a cena underground no final da década de 60 e início de 70, que se expressavam por meio de uma atitude “psicodélica”. Surgidas em um contexto pós-tropicalista – ou melhor, criadas após o rompimento de padrões sonoros propostos pelo tropicalismo – esses criadores se dedicavam ao rock, aos ritmos regionais e, principalmente, à experimentação sonora.

O trabalho irá contar a história de alguns destes artistas fundamentais para o entendimento do período – mas que, até hoje, permanecem desconhecidos do grande público. Eles participaram de uma cena alternativa que, em sua maior parte, não chegou a eclodir na grande mídia – salvo poucas aparições como acompanhantes dos músicos tropicalistas.

A idéia do tema surgiu quando o grupo conheceu tais bandas e seus discos. Na internet, é possível encontrar blogs e publicações online sobre essa cena – e eles alcançam um sucesso considerável de público. Foi ali que vimos a quantidade de boas histórias ligadas ao gênero, que merecem um tratamento menos folclórico, e mais jornalístico.

A psicodelia brasileira, sem dúvida, começou no tropicalismo. Os maestros Rogério Duprat, mais, e Júlio Medaglia, menos, são os mentores musicais do tropicalismo – e são responsáveis pelo rompimento formal de padrões da MPB. O tropicalismo chocou a ala conservadora da música nacional, e a psicodelia brasileira é conseqüência disso. Se os tropicalistas romperam padrões para incluir guitarras elétricas em seus sons, essas bandas alternativas seguiam o caminho inverso. Elas eram formadas por adolescentes, que gostavam de rock e que não se renderam à ortodoxia do ritmo. Pelo contrário: aprenderam que poderiam incluir novas sonoridades ao som roqueiro já consolidado.

A riqueza dos sons é impressionante – alguns álbuns dessa época foram redescobertos e hoje os LPs originais valem milhares de dólares no mercado europeu. Poucos músicos da época tornaram-se conhecidos hoje, como, por exemplo, Zé Ramalho e Lulu Santos, que foram integrantes de bandas de rock psicodélico. A maioria dos garotos, hoje, são senhores anônimos, com vidas comuns. Alguns enlouqueceram graças à enorme quantidade de drogas ingeridas. Outros morreram. Quase nada sobrou, à exceção da memória das loucuras da época.

É incrível observar a fusão proposta por essas bandas. Talvez este seja o ponto em comum entre todas elas: a experimentação. A sonoridade de cada uma, pelo contrário, é independente de qualquer gênero. Observa-se um estilo base, mas é possível encontrar em um só disco rock, baião, folk, bossa nova e outros sons. As letras também são ponto fundamental em toda esta trajetória. Menções a extraterrestres, drogas ilícitas, cidades do interior, personagens hipotéticas, bandas internacionais, lingeries, demônios e surtos esquizofrênicos, flores que falam... tudo era motivo de composição. É a arte livre. A não-imposição de limites. A quebra de tabus em uma época marcada pela repressão do Estado.

Havia muito mais do que música em jogo. Era um estado de espírito adotado por pessoas diferentes. O modo de se vestir, de viver, de compor, de mostrar a arte em suas apresentações, tudo era marcado fortemente pela característica psicodélica. Enquanto Andy Warhol criava capas alucinadas para artistas internacionais, desenhistas brasileiros faziam obras-primas também em capas nacionais. Mas a loucura era incômoda e a maioria dos artistas envolvidos nesta fase era barrada em gravadoras, ou censurados, na hora de lançar os discos. A maioria fez carreira independente, em âmbito regional.

Muito se falou da psicodelia estrangeira. A era internacional do LSD trouxe à tona faces obscuras de bandas como os Beatles e os Rolling Stones e revelou nomes como The Doors, Jimi Hendrix, Pink Floyd, Steppenwolf, entre outros. O Brasil não ficou de fora do “movimento”. Foi uma época de grande produção artística, especialmente musical. Apesar de pouco conhecido, trata-se de um período extremamente rico; é notável a influência, talvez um pouco camuflada, que os tais músicos têm em relação ao que está no mercado atual, ainda que independente.

Hoje não existe nenhuma publicação específica sobre essa cena. Mesmo que não possa ser chamada de “movimento”, a psicodelia brasileira tem um começo e uma trajetória – que percorre São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Recife, principalmente. E, ao contrário do tropicalismo – que foi extinto oficialmente por seus músicos – ela permanece até hoje, influenciando bandas cultuadas como Júpiter Maçã e Mopho.

O trabalho irá retratar as bandas e personagens que existiram durante um período específico – 1967 a 1975 -, em quatro localidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Rio Grande do Sul. O tropicalismo também será abordado em um capítulo introdutório – entretanto, no livro, a meta principal é contar histórias desconhecidas e fazer o público mergulhar no som e na estética psicodélica.

Escolhemos um formato alternativo que satisfizesse a qualidade da mensagem que pretendemos passar, sem criar ruídos na informação. Um livro-reportagem, com ensaio fotográfico e CD de áudio (com uma seleção de músicas relacionadas às histórias que venham a fazer parte do conteúdo) como acompanhamento. Acreditamos que assim atingiremos nossos objetivos, contando a história, mostrando visualmente as imagens da época, dos envolvidos, do estilo, das capas de discos, dos shows, provando o que falamos com as canções das bandas mencionadas e, acima de tudo, dando liberdade para que o leitor tire suas próprias conclusões a respeito de toda esta experimentação sonora. Com estes três elementos pretendemos fazer com que o leitor tenha a exata noção do que acontecia. Que ele mate a curiosidade que ganhará ao longo das histórias contadas.


2. Procedimentos metodológicos e técnicos

a) Literatura específica
A literatura específica nos ajuda a levantar os personagens do livro e avaliar a importância deles no cenário. Para este trabalho, há dois tipos de literatura: a teórica, onde a contracultura é avaliada por acadêmicos e especialistas (como em “Anos 70: Ainda sob a tempestade”, coletânea de textos do filósofo Adauto Novaes), que nos ajuda a entender o pensamento da época, e a histórica. Esta é fundamental para acompanharmos a trajetória de alguns personagens essenciais na história que contaremos – como Arnaldo Baptista, dissecado em “A divina comédia dos Mutantes”, livro de Carlos Calado. Como não vivemos a época, a literatura nos passa um olhar panorâmico do que foram aqueles anos e, principalmente, do que era para um jovem embarcar naquelas viagens, naquela época.

b) Entrevistas com jornalistas
Assim como a literatura, as entrevistas com jornalistas apresentam um panorama da cena cultural da época. Entrevistaremos alguns personagens fundamentais no jornalismo musical da época – Ezequiel Neves, Nelson Motta, Ana Maria Bahiana, Luiz Carlos Maciel e Fernando Rosa -, que, de certa maneira, têm uma visão global daquela cena musical. Eles conhecem bem os personagens e sabem apontar os artistas mais representativos da época. Por isso, antes de partirmos para as entrevistas com os músicos, é importante termos uma visão geral desta cena em especial. E são essas primeiras conversas que nos proporcionarão isso.

c) Pesquisa de periódicos
Periódicos da época também serão analisados. É a melhor maneira de saber como a mídia cobria a cena e etntar entender os hábitos da época. Além de revistas culturais, como a Rolling Stone brasileira e o Pasquim, pesquisaremos também grandes publicações.

d) Entrevistas com os personagens
- Entre os meses de março e setembro faremos entrevistas com nossos personagens. Partiremos dos tropicalistas Tom Zé, Jorge Mautner e Lanny Gordin.
- Entrevistas individuais e em grupo com os personagens envolvidos, músicos que participaram da psicodelia nacional, parentes e amigos dos escolhidos. Entre eles, Ronnie Von, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, Serguei, Os Baobás, Spectrum, Módulo 1000, Lula Côrtes, Zé Ramalho, entre outros.
- Entrevistas com o público da época. Os fãs dos artistas em questão, pessoas que participaram da psicodelia nacional, como Luiz Calanca, por exemplo, dono da loja e selo musical Baratos Afins.
- Análise e avaliação do material coletado.

e) Pesquisas em gravadoras, catálogos de selos antigos, sebos e lojas de discos


Cronograma de Desenvolvimento:

Fase 1 – dezembro de 2006 a março de 2007
- Leitura das obras escolhidas para pesquisa
- Estudos teóricos
- Pesquisas em jornais e revistas
- Ensaios fotográficos com capas de discos
- Pesquisa de fotos aleatórias da época

Fase 2 – abril a junho
- Entrevistas com músicos, artistas, parentes, amigos, fãs, jornalistas e especialistas
- Ensaios fotográficos durante as entrevistas
- Preparação do material recolhido (transcrição de fitas, tratamento de imagens)
- Requerimento de faixas musicais diretamente com os entrevistados (com cessão de direitos autorais) para o CD
- Estruturação dos capítulos
- Redação dos primeiros capítulos – Entrega do trabalho para qualificação

Fase 3 – julho a setembro
- Redação dos capítulos restantes
- Redação da introdução e agradecimentos
- Escolha das imagens
- Escolha das faixas do CD

Fase 4 – outubro
- Entrega do trabalho para críticas e avaliações de convidados, especialistas e orientador
- Correções/ Revisão
- Edição
- Diagramação, impressão e encadernação das cópias
- Entrega do projeto à Coordenadoria de Projetos Experimentais

Estruturação inicial de capítulos:
A estruturação dos capítulos dar-se-á da seguinte forma:

Capítulo 1: Tropicalismo
A psicodelia brasileira só foi possível a partir da quebra de barreiras realizada pelos tropicalistas. Tom Zé, Jorge Mautner e Lanny Gordin –selecionados por representarem, em sua força máxima, o rompimento de padrões – falarão sobre o tema.

Capítulo 2 em diante: Reconstrução da cena
Foram os tropicalistas que descobriram Os Mutantes – expressão máxima da psicodelia nacional -, Os Baobás e The Beat Boys, entre outras bandas de rock psicodélico. Por isso, começaremos por São Paulo, terra natal da cena. Depois, partiremos para as histórias cariocas, gaúchas e, por fim, a tardia cena pernambucana.

Final: Balanço de influências
Traçaremos um paralelo entre o que aconteceu e a influência que o experimentalismo exerce hoje.


Bibliografia Básica:

BAHIANA, Ana Maria. Almanaque Anos 70. São Paulo: Ediouro, 2006.

NOVAES, Adauto. Anos 70: Ainda sob a tempestade. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2005.

BAHIANA, Ana Maria. Nada será como antes: MPB anos 70: 30 anos depois. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2006.

FERREIRA, Glória. Escritos de Artistas: Anos 60/70. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

BUARQUE DE HOLLANDA, Heloísa. Asdrubal trouxe o trombone: Memórias de uma trupe solitária de comediantes que abalou os anos 70. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004.

DIAS, Lucy. Anos 70: Enquanto corria a barca. São Paulo: Ed. Senac São Paulo, 2003.

MACIEL, Luiz Carlos. Geração em transe. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.

CALADO, Carlos. A divina comédia dos mutantes. São Paulo: Ed. 34, 1995.

DEL RIOS, Jefferson. Bananas ao vento: meia década de cultura e política em São Paulo. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2006.

Arquivos do jornal A Folha de S. Paulo

Arquivos do jornal O Estado de S. Paulo

Arquivos da revista Rolling Stone brasileira

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

É isso aí, bicho


Pois é, bicho. Aqui começa a nossa suada e sofrida trajetória, para conseguir documentar a tal piscodelia brasileira. A idéia do tema surgiu ano passado. Conhecemos alguns discos da época e vimos que o experimentalismo e a psicodelia no rock nacional começou antes e foi até bem depois d´Os Mutantes. Felizmente. Nos apaixonamos.
O trabalho de conclusão de curso será um livro-reportagem, que virá com uma coletânea em cd com as bandas mais representativas da época. Ok, tema e formato definidos, vamos ao trabalho.

No ano passado, fechamos o grupo - Tati, Aline e Ana - e escolhemos nosso orientador. Professor de jornalismo cultural, Jefferson Del Rios, viveu - intensamente, diga-se de passagem - toda a psicodelia brasileira. Perfeito.

Primeiro problema: delimitação do assunto. E aí, onde começa e onde acaba isso? O que, afinal, pode ser definido como psicodelia brasileira? Muita discussão, uma longa conversa com o Calanca, da Baratos Afins, depois e... nada. Nenhuma luz. Durante as férias, muita leitura. Ana Maria Bahiana foi quem conseguiu iluminar um pouco nossa cabeça e o Fernando Rosa, o Senhor F, trilhou melhor o nosso caminho.

A entrega do pré-projeto: 7 de março. Fodeu, pensamos em coro. Vamos correr. Depois de uma reunião na Mercearia São Pedro, resolvemos melhor nossos personagens e por onde começar: vamos aos jornalistas, quem viu de camarote a cena, e o mestre inspirador, Ronnie Von. Até março, então, já devemos ter entrevistado Ana Maria Bahiana, Ezequiel Neves, Fernando Rosa e Ronnie - que grava todos os dias lá no prédio da facul.

Já contatamos todos - e Ronnie, pela facilidade de acesso, seria o primeiro. Pediram uma carta da faculdade, explicando o projeto e solicutando a entrevista. Depois de muitos emails (não respondidos) ao Jefferson, a bomba: ele foi demitido da faculdade.

Ótimo. Em cima da hora e sem orientador, é assim que começa a nossa história. Com a ajuda de quem sabe ou quer saber... é isso aí bicho!