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sexta-feira, 18 de maio de 2007

Zé Guilherme - partes 2 e 3!

Yeahhhhhhhhhhhhhhh... para os que ficaram curiosos com a história de Zé Guilherme, mais dois vídeos... o resto, só no livro!



quarta-feira, 16 de maio de 2007

O outro lado da psicodelia de Ronnie Von

Segunda feira, estivemos na casa de Zé Guilherme. Economista, consultor empresarial e músico, entre outras atividades, ele foi o guitarrista da banda B-612, que gravou com Ronnie o antológico disco de 68.

Com 17 anos na época, Zé conta que era conhecido como "Zé Louco" e era o único não-careta na banda. Diz, também, que grande parte dos arranjos 'psicodélicos' do disco, as guitarras ultra distorcidas e os sons estranhos, foram viagens musicais de um bando de garotos - da banda, não de Ronnie. Damiano Cozzela, o maestro produtor, apenas teria dado um "toque final" e, em cartos casos, até "estragado" o trabalho dos garotos.

O papel de Ronnie teria sido apenas o de consentir o trabalho dos músicos - e a façanha do disco, diz Zé, não é do cantor, nem de Cozzela, nem de Arnaldo Saccomani, o autor da maioria das músicas, mas das pirações dos meninos que estavam ligados na música de fora.

Polêmicas à parte - deixaremos elas para o livro -, fiquem com os ótimos vídeos de bastidores, gravados na entrevista, em que Zé comenta algumas músicas.



Tem vários outro vídeos, o upload tá meio lento mas já, já eles pintam aí.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Plantando Cenouras - SOM IMAGINÁRIO


Eu hoje tenho um assunto delicado pra falar com você
Eu muito tenho meditado sobre a vida que você esqueceu
Você está com a cabeça virada para o nada
e não procura nem saber o que eu penso e o que faço
Eu acredito que você ainda tem uma pequena chance
e eu encontrei a solução pro seu caso
e lhe proponho um tratamento pra você melhorar
Eu vou plantar cenouras
Na sua cabeça



Yeeeeeeeeees.... e antes de sair plantando cenouras na cabeça alheia... algumas infos, novidades, não-novidades, balanço geral e pareceres...
A letra que abre o post é de “Cenouras”, canção do Som Imaginário! Antes de falar dos mineirins psicodélicos, algumas considerações:

*Estive com a Amarilis, moça psicodélica amiga dos cabeludos de 70, na Feira de Colecionadores de Vinil, aqui em SP, terça – dia do trabalhador! Como sempre, foi um prazer ficar enfurnada em um lugar com milhares de discos de todos os tipos... PRA QUEM BUSCA DISCOS PSICODÉLICOS... É O POINT! Pra quem busca outros discos... tb é o point! Rs... Segundo fontes confiáveis, a próxima ocorre em Sto André, em breve... qdo tiver data definida eu posto.

*Ainda circulando pela feira e conversando com a Amarilis, surgiu o assunto Ronnie Von – que hj é tema de MAIS uma matéria falando da psicodelia, dessa vez na Folha de S.Paulo. Blablablá comentários sobre o relançamento dos discos do moço, blablablá comentários sobre nossa entrevista, eis que surge a revolta prevista pelo Mr. Von – OS FÃS ESTÃO INDIGNADOS COM O RE-LANÇAMENTO DOS DISCOS PSICODÉLICOS SEEEEEEEEEEEEEEM O JINGLE “BAR ÍRIS”. Que derrota, minha gente... Teve quem até mandou devolver o CD depois que viu que a faixa estava faltando! Fica aqui a minha indignação também!

*Assunto II – Queremos agradecer a ajuda de muitaaaaaaas pessoas... a ajuda que vem surgindo do milagroso mundo da internet! Todo o pessoal que está dando um HELP! com contatos, infos, fofocas, histórias e opiniões: obrigadú!

*Assunto III – Falamos com o autor do vinil mais caro do Brasil! SIM!!!! LULA CÔRTES! Muito simpático, extremamente prestativo, ele disse que vem à terra da garoa, logo logo, gravar algumas coisinhas com o Daniel Belleza! Vamo que vamo!

Agora... Som Imaginário!

O Som Imaginário é o pé mineiro do nosso livro. Com uma formação invejável... capaz de deixar os amantes da MPB loucos, eles tocavam ROCK!Rock-jazz-mpb-progressivo-psicodélico. Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão), Frederyko (guitarra), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira (percussão), Naná Vasconcelos (percussão) e, ocasionalmente, Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra) formaram a mezzo quadrilha, mezzo orquestra...rs

Gravaram alguns discos, tocaram com alguns camaradinhas conterrâneos – tipo Milton Nascimento, compuseram trilha pra filme, e viraram lenda! Não ensaiavam, cantavam o que queriam... free-style genial!

Aguardem... em breve: Som Imaginário pra vocês!

Ah... link pra baixar o disco dos moços, no blog rei BR.Nuggets
http://brnuggets.blogspot.com/2006/11/som-imaginrio-som-imaginrio-1971.html


terça-feira, 24 de abril de 2007

Alma rebelde, cara de mocinho

Acabamos de voltar da casa do Ronnie, elegantérrima, no bairro chique do Morumbi.

Visivelmente surpreso com o sucesso repentino que está fazendo - são cinco ou mais entrevistas por dia -, e também bastante cansado, Ronnie foi gentil como esperávamos. Foi uma hora de gravação, cheia de boas histórias e a afirmação clara de que só agora sua fase psicodélica - ou "surrealista", como ele prefere definir - está tendo o reconhecimento que merece.


Ronnie é bem diferente dos outros personagens do livro. Vem de família riquíssima, tradicional, estudou, tem bons modos. Mas, muito jovem, veio para São Paulo (ele é do Rio), largou tudo e foi morar numa pensão mequetrefe no centrão. Claro que a beleza estonteante do rapaz ajudou, e logo ele foi contratado por uma gravadora. Sempre orientado pelo "departamento comercial", ele vendia horrores fazendo versões e músicas bonitinhas.

Hoje, tem horror ao primeiro disco. Ficou puto porque a Universal o relançou. Afirma e reafirma que o estereótipo de bom moço foram os outros que colocaram - e isso ele nunca foi. Os discos malucos dele, entre 68 e 72, foram uma tomada de fôlego, a oportunidade para mostrar quem ele realmente era. E ele afirma isso: aquilo é que era ele, não "Meu bem" ou "A praça".



Ronnie lutou, lutou, lutou contra o estereótipo que lhe colocaram - mas, no fim, acabou se rendendo. Com mágoas, mas se rendeu.

Veja um aperitivo em que explica porque não entrou na onda do ácido:


Mais disso, só no livro. Qdo transcrevermos, colocamos um trechinho aqui.

As muitas faces de Von, Ronnie Von

Hey!
Estamos a caminho da casa de Ronnie Von... UHUUUUUUUUUU... mas antes, alguns vídeos do moço, belíssimo moço, pra quem curte. Não são vídeos psicodélicos mas mostram um pouco da carreira de Ronnie em fases diferentes. Pra quem curte o som, pra quem curte o rapaz, pra quem curte o blog mesmo...rs...

Ladies n Gents, Mr. Ronnie Von!!!!!!

Vídeo 1 - Mantendo a tradição de bom moço, o jovem Ronnie canta "A Praça" na Record



Vídeo 2 - Em 1977, nosso galã protagoniza a novela Cinderela, ao lado de Vanusa



Vídeo 3 - Em 1972 o gato garoto participa do filme Janaina - A Virgem Proibida ao lado de Marlene França, Raul Cortez, Cynira Arruda, Cyl Farney.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Notícias

* O grupo está mergulhado em provas, trabalhos e infindáveis textos pra ler. Sim, no último ano, além do tcc, temos outras disciplinas. Nesta e na próxima semana, infelizmente, pensaremos menos do que gostaríamos em psicodelia.

* Em breve, estarão no blog mais trechos das entrevistas com o Luís Calanca e, finalmente, os papos com Fernando Rosa, Nelson Motta, Luís Carlos Maciel e Ezequiel Neves. São muitas horas de gravação, e as transcrições estão correndo meio devagar...

* Graças ao eficientíssimo assessor Maurício, ao que tudo indica, Ronnie será entrevistado ainda neste mês. Extra-Gazeta.

* Só pra lembrar dos tiozões doidões... :

terça-feira, 10 de abril de 2007

Capítulos definidos! Mais um dia...


Zenti, Zenti... tivemos uma reunião com o Welington, nosso orientador, e finalmente definimos os capítulos do livro. Ficou mais ou menos da seguinte forma:

* Ah... vamos procurar conseguir depoimentos de figurões sobre a psicodelia! Vamo que vamo! Agora contamos com todos vocês! Quem tiver contato, informação, fotos, discos, cartazes de shows, conhecidos que estiveram lá na época e etc... nos mandem pliss!!!! Toda ajuda é bem vinda!

Estruturação dos Capítulos do livro:

Considerações:
Os capítulos que envolvem personagens estarão dispostos em ordem cronológica


1º Capítulo

- loucura<=> psicodelia
- contracultura
- drogas
- expressão dos temas acima pelá arte

*Não falaremos de tropicália. Tentaremos introduzir o nosso trabalho focadas nos temas propostos acima.


2º Capítulo

Ronnie Von (1968) (SP/RJ)

Falaremos da experiência psicodélica do cantor. Ele era mauricinho, amado pelas garotas, invejado pelos rapazes. Mas no meio de seu sucesso, Ronnie Von gravou com os Mutantes – banda que, aliás, foi batizada por ele - lançou três álbuns experimentais, considerados os precursores da psicodelia nacional: Ronnie Von (1968), “A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais” (1969) e “A Máquina do Tempo” (1970). Ronnie Von abandonou seu lado pequeno príncipe e investiu pesado no rock psicodélico.


3º Capítulo

Módulo 1000 (1969) (RJ)

Quarteto progressivo carioca, formado em 1969, que teve breve duração. O grupo misturava influências de rock pesado com traços regionais. Lançaram um único álbum (Não fale com as paredes) em 1972 – hoje sonho de consumo de colecionadores. Na Europa o disco marcado por fortes guitarras e faixas instrumentais – além das letras em latim com referências bíblicas, é um clássico muito procurado. Som progressivo e letras em latim.


4º Capítulo

Liverpool (1970) (RS)

Liverpool foi a banda brasileira que mais perto chegou da criatividade mutante na época, porém, seu vinil nunca foi digitalizado por uma grande gravadora e alguns heróis hoje compartilham pela internet o pouco do que sobrou. preste atenção na psicodelia de "olhai os lírios do campo", "impressões digitais" e "voando", todas mostrando o quanto mimi lessa e sua guitarra eram dignos de serem cultuados eternamente. Fughetti luz é autor do hino “campo minado”, imortalizado pela bandaliera e foi um dos grandes responsáveis pela formação do bixo da seda (que saberemos mais num próximo capítulo). hoje vive no interior do estado, porém ainda percorre os becos portoalegrenses produzindo músicos e bandas como a já citada (e extinta) bandaliera e também barata oriental (quarteto oitentista que retornou de longo retiro espiritual em 2004). mas, da psicodelia que o liverpool emanava, ficaram apenas as lembranças. Marcelo zona sul é trilha sonora do filme de 1970. perdido pelas locadoras ou acervos particulares de porto alegre.


5º Capítulo

Spectrum (1971) (RJ)

A banda – formada por seis garotos, na faixa dos 20 anos - foi chamada para fazer a trilha sonora do filme-documentário Geração Bendita, que mostra o cotidiano de uma comunidade hippie. Tudo em condições precárias de gravação e instrumentos de terceira mão. O resultado, o disco “Geração Bendita”, é datado de 1971, só tem músicas próprias. A sonoridade, influenciada por Steppenwolf, faz jus às grandes bandas gringas da época - e permaneceu anos na obscuridade. Recentemente, pesquisadores estrangeiros redescobriram e relançaram o álbum, chega a custar US$ 2 mil no mercado europeu.


6º Capítulo

Som Imaginário (1971) (MG)

Som Imaginário, banda que passeou com maestria nas fronteiras da psicodelia e do progressivo com a moderna MPB e toques de jazz, produzindo clássicos do gênero como Morse, Super God, Cenouras (… "vou plantar cenouras na sua cabeça"). Integraram o grupo em suas várias formações mestres do instrumento, como Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão), Frederyko (guitarra), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira (percussão), Naná Vasconcelos (percussão) e, ainda, ocasionalmente, Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra). Gravaram os discos Som Imaginário (70), Som Imaginário - 2 (71) e Matança do Porco (73), que pra muitos é o álbum mais progressivo do grupo, contendo canções de Wagner Tiso como, "Armina" e a faixa-título, escrita originalmente para o filme "Os deuses e os mortos", de Ruy Guerra, que concorreu ao Festival de Berlim dois anos antes. Também em 1973, participou do LP "Milagre dos peixes", com Milton Nascimento, apresentado, no ano seguinte, em espetáculo gravado ao vivo e lançado em disco.

O grupo foi uma lenda no cenário musical: acompanhou Milton Nascimento em seu show "Milton Nascimento ah!... e o Som Imaginário", marco zero na carreira pop do cantor. O grupo era uma verdadeira farra, não ensaiava nem mesmo para gravar os discos. Apenas chegava e tocava as músicas, em sua maioria, compostas por Tavito. O Som Imaginário era um dos grupos de vanguarda na época e chegou a ganhar, com música "Feira Moderna", de Beto Guedes e Fernando Brant, o prêmio revelação do Festival Internacional da Canção.


7º Capítulo

Marconi Notaro (1973) (PE)

O LP 'No Sub Reino dos Metazoários', de Marconi Notaro, é dos expoentes da cena psicodélica nordestina. Lançado em 1973, enquadra-se na linha de obras como os discos de Lula Côrtes & Lailson - 'Paebirú' e 'Satwa', clássicos da psicodelia nacional.
Ultra-psicodélico em alguns momentos, o disco abre com o samba 'Desmantelado' (composto por Notari em 1968, "nos áureos tempos do Teatro Popular do Nordeste), com o regional formado por Notari, Robertinho de Recife, Zé Ramalho e Lula, entre outros. A segunda faixa, 'Ah Vida Ávida', com 'Notaro jogando água na cacimba de Itamaracá', mais Lula na 'cítara popular' e Zé Ramalho na viola indicam o que vem a seguir, um misto de alucinada psicodelia com pinceladas da mais singela música popular, como o frevinho 'Fidelidade' (... "permaneço fiel às minhas origens, filho de Deus, sobrinho de Satã" ...).


8º Capítulo

Vímana (1974) (RJ)

Vimana é o nome de uma banda brasileira de rock progressivo da década de 1970 que contou com Lulu Santos (guitarra), Ritchie (guitarra), Luiz Paulo Simas (teclados) e Lobão (bateria).
Originalmente, em 1974, a banda contava com Luiz Paulo Simas (teclados) e Candinho (bateria) vindos da banda Módulo 1000 e Lulu Santos (guitarra/vocal) e Fernando Gama (baixo) do Veludo Elétrico.
A banda realizava apresentações e seus integrantes trabalhavam como músicos de estúdio para outros artistas. Candinho sai em 1975, quando Ritchie e Lobão entram para a banda. Essa tornara-se a formação mais conhecida do Vimana. Com sucesso a banda lançou um compacto, "Zebra", pelo selo Som Livre e um LP que é arquivado pela gravadora que alega não haver público para rock no Brasil.


9º Capítulo

Arnaldo Baptista (1974) (MG)

Ele é certamente o artista mais subestimado de toda a história pop brasileira. Músico brilhante, arranjador, letrista, usina inesgotável de idéias, Arnaldo foi o grande líder dos Mutantes, a banda brasileira mais admirada no exterior e que hoje é vítima de um culto que beira o insuportável. Porém, poucos conhecem ou falam da carreira errática de Arnaldo Baptista. Talvez porque ele tenha enlouquecido verdadeiramente, graças às drogas e às suas idéias nem sempre compreendidas pelos outros (e até por ele mesmo). Mas Arnaldo, em uma vida cheia de acidentes (e alguns quase fatais), compôs uma das mais belas obras inspirada na dor, nos delírios e nas imagens particularíssimas de alguém como ele. Loki? é mais do que um disco estranho e até assustador. É a grande obra-prima de um gênio e certamente o mais importante e brilhante (ainda que ninguém concorde comigo) disco do rock nacional.


10º Capítulo

Ave Sangria (1975) (PE)


A banda escandalizou Recife na década de 70. Os garotos passavam batom, usavam roupas estranhas e beijavam-se no palco. Um deles chegou a enviar um cigarro de maconha para Paul McCartney, e foi correspondido. Seu som, rock psicodélico, ganhou as pitadas nordestinas em grande estilo – eram as guitarras elétricas com violar, misturadas a sambas e choros. As letras, totalmente non-sense, faziam a censura pegar no pé da banda. A trajetória do grupo durou pouco, mas marcou definitivamente a história musical de Recife.


11º Capítulo

Lula Côrtes e Zé Ramalho (1975) (PE)

Em 1973, o paraibano Zé Ramalho estava cansado de animar bailes em bandas de iê-iê-iê de João Pessoa e Campina Grande. O pintor Raul Córdula lhe avisou que no Recife havia um pessoal diferente, conhecido pela alcunha de udigrudi pernambucano. Foi pra lá. O guru era Lula Côrtes, um hiperativo que dividia seu tempo entre o desenho e o seu inseparável (e legendário) tricórdio.
No início de 1974 Zé foi apresentado a Lula, que vivia com a namorada Kátia Mesel no então distante subúrbio de Casa Forte (que virou bairro nobre do Recife). Lula lhe falou da Pedra do Ingá e da idéia de fazer um disco inspirado no sítio arqueológico de Ingá do Bacamarte. Paêbirú foi feito em 1975 no estúdio da Rozenblit (empresa fundamental para a história da música pernambucana) e lançado imediatamente. Mas na terrível enchente de julho daquele ano no Recife, as águas do Capibaribe invadiram a fábrica e destruíram praticamente toda a prensagem do disco, com a exceção de 300 cópias que haviam sido levadas para a casa de Lula e Kátia.


12º Capítulo

Serguei * (RJ)

Serguei foi uma das primeiras sintonias com a pré psicodelia em "Eu não Volto Mais" e "As alucinações de Serguei" de 66. Usou e abusou das cores da Tropicália muito antes de flertar com ela na música "Alfa Centauro". E mais tarde, "O Burro Cor de Rosa" e "Eu Sou Pisicodélico". Todas estas, entre outras, estão sendo resgatadas e apresentados às novas gerações via Baratos Afins, que acredita estar preservando parte de nossos valores culturais.

* Serguei começou a carreira de “pessoa psicodélica” em 1966. Não era músico, nem artistas... era uma espécie de performer... por isso não entra na ordem cronológica. É um personagem psicodélico.


13º Capítulo

- Psicodelia hj
- Reflexos dessa psicodelia
- Considerações finais
- Bandas psicodélicas hj
- Influências

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Burocracia


Caramba! É mais fácil ir até o Rio de Janeiro e passar uma manhã na casa do Nelson Motta do que se encontrar com Ronnie Von, que trabalha no mesmo prédio da faculdade!

Incrível!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Suficiente, com restrições - um pouco de Ronnie Von

Neste post: 1º Parecer do nosso TCC/ 2º Um pouco mais sobre Ronnie Von/ 3º tributo Ronnie Von - entrevista com a idealizadora do projeto


A Faculdade Cásper Líbero tem uma política estranhíssima de avaliação de Projeto Experimental. Para podermos, teoricamente, começar a fazer o TCC nosso pré-projeto deve ser avaliado por um parecerista - que deve ser escolhido por sorteio (vcs entenderão o porquê disso a seguir) e este diz se o seu trabalho é consistente o suficiente para seguir no processo.

Nosso parecerista foi nosso professor no segundo ano. Ele é jornalista com mais de duas décadas de atividade profissional, foi editor de assuntos internacionais da Veja, da Época e da Folha de S. Paulo. Também foi editor da Superinteressante e Exame. Ele leciona na Cásper desde 1997. O "diagnóstico" dele foi: Suficiente, com restrições. Não vamos colocar todo o texto, mas resumindo, ele disse que optamos por um caminho “original”, fez algumas considerações favoráveis, outras não, e disse que quer ler nossas histórias. Ok. Mas eis o inesperado:

"Posso estar enganado nas minhas observações, mas sinto que que (sic) as autoras não pesquisaram o assunto com devida profundidade. Ronnie Von, por exemplo, nunca teve nada a ver com tropicalismo, psicodelismo (sic) ou qualquer coisa do gênero. Ao contrário, no linguajar da época, o "Pequeno Príncipe" era a caretice em pessoa (um traço que ele preserva até hoje...)".

Infelizmente, o professor responsável por avaliar o nosso projeto está enganado em suas observações. Ele aprovou, ok, e ele tem o direito de fazer suas considerações. Mas o professor ecoou o senso comum sobre o Ronnie Von. Era ele quem deveria pesquisar um assunto ao assumir a responsabilidade de avaliar um projeto.

***

Um pouco de Ronnie Von

Em meados da década de 60, Ronnie Von era apresentador do programa "O pequeno mundo de Ronnie Von". Exibido pela Record aos sábados, o programa era a alternativa da juventude ao "Jovem Guarda", programa de Roberto, Erasmo e Wanderléa, que ia ao ar aos domingos. O programa de Ronnie abria espaço para novas bandas. Ali tocaram pela primeira vez Os Mutantes, que acabaram sendo apadrinhados pelo apresentador. Quando apareceram, não tinham nem nome e foi Ronnie quem apresentou a sugestão (a idéia foi de outro produtor), baseada em um conto de ficção científica que ele, Arnaldo, Sérgio e Rita gostavam.

"Ronnie Von", 1967: a capa, a participação de Liminha e Cozzela
não negam a psicodelia e a influência da tropicália

Em 1967, ele lançou “Ronnie Von 3”. Foi sua primeira incursão no mundo da experimentação sonora. Em lua-de–mel com a tropicália, o disco foi gravado com Os Mutantes, os Beat Boys (os argentinos que acompanharam Caetano em Alegria, Alegria, no festival da Record), e teve os arranjos do maestro Rogério Duprat. Caetano Veloso, inclusive, participa do disco na faixa "Meu bem", dividindo os vocais com Ronnie.

No mesmo ano, com Os Baobás, foi lançado “Ronnie Von”, disco com a participação de Liminha, que mais tarde se tornaria baixista dos Mutantes, e arranjado pelo mestro Damiano Cozzela, da mesma escola de Duprat. A produção do disco e a capa não negam a influência psicodélica de Ronnie. Nesse disco, está a clássica “Silvia 20 horas, domingo”, regravada com sucesso pelo Vídeo Hits. “A Misteriosa Luta do Reino de Passassempre Contra o Império de Nuncamais” [existe título mais psicodélico que esse?], de 1969, e “A Máquina Voadora”, de 1970, apresentam já referências progressivas – anos antes delas entrarem na moda, em meados da década, com Módulo 1000, Vímana e os próprios Mutantes.

Antecipando o progressivo: capa do disco "A Misteriosa Luta do Reino de Passassempre Contra o Império de Nuncamais", 1969

Pela sonoridade diferente, esses discos foram uma vírgula na carreira de Ronnie. Não fizeram sucesso e ficaram esquecidos por décadas. Isso explica, em parte, a opinião baseada no senso comum do nosso professor.

***

A jornalista Flávia Durante, apaixonada pesquisadora da fase psicodélica de Ronnie Von, está fazendo um intenso trabalho de divulgação daqueles discos. Em 2004, surgiu a idéia de fazer um tributo à Ronnie, só com bandas novas. Muitas bandas abraçaram a idéia e, há poucas semanas, a coletânea saiu do papel. Em entrevista, ela fala mais sobre o trabalho.

Você conheceu a fase psicodélica do Ronnie com o Video Hits. Como foi a pesquisa para achar os outros discos?
Com o bom e velho Soulseek! Tenho um vasto material dessa fase do Ronnie que peguei por lá. Mas vou comprar todo o catálogo que está sendo finalmente relançado pela Universal!

Porque essa fase obscura do Ronnie caiu no esquecimento?
Porque a imagem do Ronnie ficou muito associada à fase brega, de "Cachoeira" e tal.

Como foi viabilizado o projeto da coletânea?
Tudo na fé e na boa vontade dos amigos! A idéia surgiu na comunidade sobre o cantor que criei no Orkut em 2004. Muitas bandas se empolgaram com a idéia e logo se ofereceram mas depois sumiram! Então tive que recomeçar todo o cast do zero. Selecionei as bandas, cobrei a entrega dos prazos, revisei os textos, separei os contatos, procurei um servidor gratuito, implorei aos amigos por um design na brodagem... Por isso demorou tanto pra sair. O site Recife Rock ofereceu a hospedagem e o belo design foi feito pelo gaúcho Gabriel Von Doscht, que também participa do tributo com a banda Os Vilsos.

Como foram selecionadas as bandas participantes? Elas conheciam as músicas?
Algumas se ofereceram na própria comunidade e outras eu convidei. Algumas não conheciam muito o trabalho dele dessa fase mas quando fiz o convite se interessaram e viraram fãs na hora.

O que o Ronnie Von acha da coletânea?
Mantenho contato com o Léo Von, filho do Ronnie, pelo MSN, o conheci pelo Orkut. Quando o site ficou pronto mostrei pra ele, que logo mostrou pro pai! Diz o Leo que o pai adorou o resultado! Mas antes, quando ele soube da idéia, já havia ficado muito emocionado! A maior ressentimento de sua carreira era não ser reconhecido pela qualidade de seu trabalho. Felizmente agora esse erro terrível está sendo sanado.

Saiba mais e baixe os dois volumes da coletânea: www.ronnievon.com.

***

Tomara que nosso professor avaliador mude de idéia.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

É isso aí, bicho


Pois é, bicho. Aqui começa a nossa suada e sofrida trajetória, para conseguir documentar a tal piscodelia brasileira. A idéia do tema surgiu ano passado. Conhecemos alguns discos da época e vimos que o experimentalismo e a psicodelia no rock nacional começou antes e foi até bem depois d´Os Mutantes. Felizmente. Nos apaixonamos.
O trabalho de conclusão de curso será um livro-reportagem, que virá com uma coletânea em cd com as bandas mais representativas da época. Ok, tema e formato definidos, vamos ao trabalho.

No ano passado, fechamos o grupo - Tati, Aline e Ana - e escolhemos nosso orientador. Professor de jornalismo cultural, Jefferson Del Rios, viveu - intensamente, diga-se de passagem - toda a psicodelia brasileira. Perfeito.

Primeiro problema: delimitação do assunto. E aí, onde começa e onde acaba isso? O que, afinal, pode ser definido como psicodelia brasileira? Muita discussão, uma longa conversa com o Calanca, da Baratos Afins, depois e... nada. Nenhuma luz. Durante as férias, muita leitura. Ana Maria Bahiana foi quem conseguiu iluminar um pouco nossa cabeça e o Fernando Rosa, o Senhor F, trilhou melhor o nosso caminho.

A entrega do pré-projeto: 7 de março. Fodeu, pensamos em coro. Vamos correr. Depois de uma reunião na Mercearia São Pedro, resolvemos melhor nossos personagens e por onde começar: vamos aos jornalistas, quem viu de camarote a cena, e o mestre inspirador, Ronnie Von. Até março, então, já devemos ter entrevistado Ana Maria Bahiana, Ezequiel Neves, Fernando Rosa e Ronnie - que grava todos os dias lá no prédio da facul.

Já contatamos todos - e Ronnie, pela facilidade de acesso, seria o primeiro. Pediram uma carta da faculdade, explicando o projeto e solicutando a entrevista. Depois de muitos emails (não respondidos) ao Jefferson, a bomba: ele foi demitido da faculdade.

Ótimo. Em cima da hora e sem orientador, é assim que começa a nossa história. Com a ajuda de quem sabe ou quer saber... é isso aí bicho!