terça-feira, 14 de agosto de 2007

Aldous Huxley e as portas da percepção


Mais um post da série: isto não é apologia...


Aldous Huxley merece este destaque! No niosso caso, por ter escrito o livro "As portas da percepção", obra que inspirou ninguém menos que os Doors e nomeou a banda. Este livro é muito citado em nossas entrevistas então, abaixo segue uma biografia a la Wikipédia; mais abaixo segue um link onde é possível fazer o download do livro.


Citado por músicos que vão de Raul Seixas a Pitty, senhoras e senhores, com vocês, Aldous Huxley!


Enjoy, meus caros!


Aldous Leonard Huxley (Godalming, Surrey, 26 de Julho de 1894 — Los Angeles, 22 de Novembro de 1963) foi um escritor inglês e um dos mais proeminentes membros da família Huxley.

Biografia


Sua família incluía os mais distintos membros da classe dominante inglesa; uma vasta elite intelectual. Seu avô era Thomas Henry Huxley, um grande biólogo defensor da teoria evolucionista de Charles Darwin, tendo desenvolvido o conceito agnóstico. Sua mãe era irmã da romancista Humphrey Ward; a sobrinha de Matthew Arnold, o poeta; e a neta de Thomas Arnold, um famoso educador e diretor da Rugby School que acabou se tornando um personagem no romance "Tom Brown's Schooldays".
Estudou na aristocrática escola de Eton, que foi obrigado a abandonar aos dezesseis anos, devido a uma doença nos olhos que quase o cegou impedindo-o de cursar medicina. Mais tarde, ele recuperou visão suficiente para se formar com honra pela Universidade de Oxford, mas não suficiente para servir o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Em Oxford, engajou-se com a literatura pela primeira vez, conhecendo Lytton Strachey e Bertrand Russell, também se tornou um amigo íntimo de D. H. Lawrence.
Em 1921, lançou "Crome Yellow", o primeiro de uma série de romances e novelas que combinam diálogos emocionantes, e um aparente ceticismo, com profundas considerações morais.
Viveu a maior parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini que inspirou parte dos sistemas autoritários retratados em suas obras.
A obra-prima de Huxley, "Brave New World" (Admirável Mundo Novo), foi escrita durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado.
No ano de 1937 Aldous Huxley mudou-se para Los Angeles, e em 1938, no auge da sua carreira, chegou a Hollywood, como um de seus mais bem remunerados roteiristas. Nessa fase, escreveu romances como "Também o cisne morre" (1939), "O Tempo pode parar" (1944), "O macaco e a essência" (1948).
O cinema para Huxley foi uma aventura tão fascinante quanto suas descobertas e experiências com a mescalina, narradas em "As portas da percepção" (The Doors of Perception), de 1954, livro que influenciou em muito a cultura hippie que florescia, dando nome por exemplo a banda The Doors, pois tais relatos com a droga indigena se assemelham em muito com o LSD que estava em ascensão. Dois anos depois, viúvo, casou-se novamente e publicou "Entre o céu e o inferno".
Huxley viajou ainda pela América Central e em 1958 visitou o Brasil, tendo conhecido os índios do Xingu e as favelas do Rio de Janeiro.
Em 1959, foi agraciado pela Academia Americana de Artes e Letras com um prêmio por seus romances. Tal premiação era concedida a cada cinco anos e havia sido entregue anteriormente a Ernest Hemingway, Thomas Mann e Theodore Dreiser.
Huxley permaneceu quase cego por toda a sua vida. Sua esposa, Maria Huxley, faleceu em 1955. Um ano mais tarde, Huxley casou-se com Laura Archera. Ele morreu em 22 de Novembro de 1963 na sua pequena casa de Los Angeles.
Huxley produziu um total de 47 livros ao longo de sua vida. O crítico britânico Anthony Burgess uma vez afirmou que Huxley fora o pioneiro do "romance cerebral". No entanto, outras correntes de críticos classificaram Huxley como um ensaísta, ao invés de romancista, pois suas obras eram conduzidas mais apoiadas sobre suas idéias do que o desenrolar de personagens ou contextos de histórias.




The Doors of Perception (As portas da percepção, em português) é um livro de 1954, escrito por Aldous Huxley, onde o autor pormenoriza as suas experiências alucinatórias quando tomou mescalina. O título provém de uma citação de William Blake:"If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite." "Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito." Baseado nesta citação, Huxley assume que o cérebro humano filtra a realidade de modo a não permitir a passagem de todas as impressões e imagens que existem efectivamente. Se isso acontecesse, o processamento de tal quantidade de informação seria simplesmente insuportável. De acordo com esta visão das coisas, as drogas poderiam reduzir esse processo de filtragem, ou "abrir as portas da percepção", como é dito metaforicamente. Com o intuito de verificar esta teoria, Huxley começou a tomar mescalina e a descrever os seus pensamentos e sentimentos sob o efeito da droga. A sua principal impressão será a de que os objectos do nosso quotidiano perdem a sua funcionalidade, passando a existir "por si mesmos". O espaço e as dimensões tornam-se irrelevantes, parecendo que a percepção se alarga de uma forma espantosa e mesmo humilhante já que o ser humano se apercebe da sua incapacidade para fazer face a tantas impressões. k Além de drogas como a mescalina, o LSD, a psilocibina, etc, outras formas citadas para se abrir as portas da percepção seriam:-Períodos prolongados de silêncio e isolamento. -Jejuns prolongados. -Auto-flagelação. Huxley explica que uma das razões porque as portas da percepção normalmente ficam semi-cerradas seria para a própria proteção do indivíduo, que de outra forma se distrairia com a enxurrada de estímulos desnecessários para a sobrevivência.Esse livro foi a fonte de inspiração para o nome da banda The Doors, que por sinal apresenta uma obra com características semelhantes ao do livro, quebra de paradigmas, oposição a normas e costumes vigentes e uso de drogas. (Texto retirado do Blog do Ziggy)


Ah... tem alguns vídeos de uma entrevista feita com ele... não consigo postar, mas quem quiser ver é só clicar aqui e aqui !

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Últimas notícias

Qualquer dia desses
A gente se encontra
Pra bater um papo calmo
Um papo calmo pra ficar calmo
E calmamente conversar, conversar
Bater na porta da alma
Longe da loucura
Longe da loucura e do barulho
Dessa cidade, dessa cidade, dessa cidade, dessa cidade

"Balada da Calma", Lula Côrtes, álbum "Rosa de Sangue", 1980

Aos nossos queridos leitores,

Não fiquei tristes com a falta de posts. O grupo está como sempre super f*dido. A Aline foi à Nova Friburgo (RJ), no último final de semana, entrevistar Caetano, do Spectrum. Segundo ela mesma conta, o papo foi incrível e cheio de experiências psicodélicas. Mas, voltando pela Av. Brasil, no Rio, rolou uma coisa bem chata... que depois ela mesma conta, também.

Enquanto isso, aceitamos donativos.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Psicodelia Brasileira Recomenda: "Tropicália: Uma Revolução na Cultura Brasileira",

Tropicália, 40
Movimento que mudou a cultura brasileira faz anos; Rio ganha exposição com 250 objetos
GUILHERME BRYAN COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


Em outubro de 2007, não faltarão motivos para comemorar as quatro décadas de um dos mais importantes movimentos culturais brasileiros, a tropicália. Afinal, além de revelar diversos artistas, o tropicalismo provou como é ótimo misturar, sem preconceitos, os mais diferentes estilos musicais para criar algo original e marcante.Nos dias 6 e 13 de outubro de 1967, os até então pouco conhecidos compositores Gilberto Gil e Caetano Veloso pisaram no palco do 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record para apresentar, respectivamente, "Domingo no Parque" e "Alegria, Alegria".Apesar de terem ficado em segundo e quarto lugares -a vencedora foi "Ponteio", de Edu Lobo e Capinam-, essas canções chocaram a sociedade ao apresentar elementos de um movimento que revolucionaria a música e a cultura brasileiras. "O aparecimento dessas músicas, com arranjos específicos, introduzindo o aparato eletrônico e a novidade da relação entre letra e música inaugura o tropicalismo", diz Celso Favaretto, autor do livro "Tropicália Alegoria Alegria".Acompanhados pelos grupos de rock Beat Boys e Mutantes, Caetano e Gil uniram de maneira criativa elementos tradicionais, muitos deles considerados cafonas, com guitarras elétricas e o que havia de mais moderno nas vanguardas européias e norte-americanas.

Bem ao gosto antropofágico do escritor modernista Oswald de Andrade, a idéia era misturar o máximo possível de elementos diferentes para criar algo que o próprio Gil designou como "geléia geral brasileira"."A tropicália pretendia implantar uma maneira mais democrática e contemporânea de encarar a rica diversidade da música e da cultura brasileira, inserindo-a no cenário internacional. Hoje pode parecer meio absurdo, mas alguns artistas e intelectuais rejeitavam qualquer influência da música pop ou do rock sobre a música brasileira, por encará-los como produtos da política imperialista norte-americana", conta Carlos Calado, autor dos livros "A Divina Comédia dos Mutantes" e "Tropicália - A História de Uma Revolução Musical".Tanta ousadia e inovação chocaram boa parte da intelectualidade da época, afirma Favaretto: "É como se eles estivessem atentando contra a pureza da música brasileira e era exatamente isso o que queriam: abaixo à pureza. Não há pureza que resista às necessidades da contemporaneidade".

Para se ter uma idéia de como a elite cultural brasileira rejeitava a cultura norte-americana, em 17 de julho de 1967 foi realizada em São Paulo uma passeata contra as guitarras, reunindo artistas como Edu Lobo e Elis Regina. "Os tropicalistas odiavam o "populismo musical" que estava em evidência com Geraldo Vandré", lembra o jornalista Nelson Motta.Em 1968, seria lançado o álbum "Tropicália ou Panis et Circensis", que escancarou as propostas estéticas tropicalistas. O disco reuniu o maestro Rogério Duprat, Nara Leão, Gal Costa, Caetano, Gil, o poeta Torquato Neto, Capinam, Tom Zé e os Mutantes.Bananeiras Os tropicalistas estavam em sintonia com outros artistas brasileiros, caso do cineasta Glauber Rocha -que, em 1967, filmou "Terra em Transe"- e do diretor de teatro José Celso Martinez Corrêa, que dirigiu a mais chocante e provocadora montagem da peça "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade.

O nome "tropicália" foi uma sugestão do produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, inspirado pela instalação do artista plástico Hélio Oiticica, que misturava bananeiras com aparelhos de televisão.A tropicália terminou pouco mais de um ano após o seu aparecimento, em dezembro de 1968, quando Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos pelo governo militar e exilados na Inglaterra.A principal razão alegada foi a de que Caetano teria inserido versos ofensivos aos militares durante a temporada realizada com Gil e Mutantes na boate Sucata, onde ainda foi pendurada uma obra de Hélio Oiticica -uma bandeira com a inscrição "Seja marginal, seja herói"."A atitude crítica defendida pelos tropicalistas permanece até hoje como lição essencial para qualquer artista. Praticamente tudo que se fez na música brasileira a partir de então foi beneficiado pela lição de liberdade estética deixada pelos tropicalistas. Graças à tropicália, a música brasileira abandonou preconceitos musicais e a xenofobia", finaliza Calado.

Aniversário vai ser no dia 7/8
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em 1967, o artista plástico Hélio Oiticica apresentava pela primeira vez, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, sua instalação "Tropicália", que batizaria um dos mais importantes movimentos da história da música brasileira.Quarenta anos depois, na terça-feira, 7 de agosto, o mesmo museu apresenta a exposição "Tropicália: Uma Revolução na Cultura Brasileira", que já esteve em Chicago, Nova York, Londres e Berlim.Com curadoria do argentino Carlos Basualdo, do Museu de Arte Contemporânea da Filadélfia, a exposição reúne mais de 250 objetos, divididos em áreas como teatro, artes visuais, arquitetura e informações gerais dos fatos que marcaram o Brasil entre 1967 e 1972.Entre os destaques, a instalação "Roda dos Prazeres", de Lygia Pape, desenhos da arquiteta Lina Bo Bardi e trabalhos de poetas concretos como Augusto de Campos (as fotos desta página fazem parte da exposição).Para acompanhar, a editora Cosacnaify lança a versão em português do livro-catálogo coordenado por Basualdo, que reúne reflexões de pesquisadores e alguns textos históricos, caso de "Manifesto Antropofágico", de Oswald de Andrade. (GB)
Moda tropicalista é geléia geral
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Não foi à toa que a turma da tropicália se tornou ícone fashion de seu tempo e influencia o povo da moda até hoje.Caetano e sua turma esbanjaram atitude ao misturar peças inspiradas nos parangolés de Hélio Oiticica, na psicodelia das estampas de Emilio Pucci, nas batas indianas e nos elementos da cultura hippie."A moda também foi tropicalizada. Basta olhar a capa do disco "Tropicália" para constatar que aquelas roupas e acessórios ainda estão nas ruas", diz Amnon Armoni, coordenador dos cursos de pós-graduação em moda da Faap. "Há tempos a moda vive de leituras de décadas passadas. Os tropicalistas trouxeram algo que sempre vai inspirar os designers".É o caso da estilista Carol Martins, da grife Madalena. A principal marca de suas coleções são as flores gigantes que estampam tecidos leves e confortáveis, bem semelhantes aos kaftans usados por Gilberto Gil ou às capas de Rita Lee."Eu vivi o tropicalismo! Morei numa comunidade alternativa, ouvi muito esses discos", diz Carol. "O que acho mais bacana é que eles não se prendiam à moda hippie. Como na música, faziam no jeito de se vestir uma geléia geral", completa. A carioca Helô Rocha, da grife Têca, foi outra que acreditou na tropicália para criar sua coleção verão-2008.Nem a alta costura escapou do movimento. As famosas coleções da Rhodia das décadas de 60 e 70 já traziam os coloridos e os florais com perfume tropicalista. O acervo permanente do Masp tem 82 vestidos dessa época, dos quais 15 foram emprestados para a exposição no Rio. (DOLORES OROSCO)

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Órfãos do tropicalismo

Máteria publicada no Folhateen, segunda-feira, 30 de julho de 2007



Órfãos do tropicalismo
Fãs do movimento que mudou os rumos da cultura brasileira em 1967 falam sobre a influência em suas vidas


LETICIA DE CASTRO

DA REPORTAGEM LOCAL


Final dos anos 60, auge da ditadura militar no Brasil. Na música, os discursos políticos e a valorização da cultura nacional dominavam o cenário. Em meio a isso, um grupo que reunia músicos baianos novatos, roqueiros paulistas adolescentes, um maestro erudito e uma musa da bossa nova decidiram misturar rock, guitarras psicodélicas, ritmos regionais e pérolas do cancioneiro brega nacional.


Criavam assim um dos mais influentes movimentos artísticos brasileiros, a tropicália (leia mais nas páginas 8 e 9). Quarenta depois de sua ascensão e queda, ela ainda influencia e inspira adolescentes -que nem eram nascidos na época-, como o estudante André Lombardi, 17.


"Sempre gostei de rock de garagem e de punk e nunca consegui apreciar muito a música nacional. Depois de conhecer a tropicália, me abri para um monte de coisas brasileiras", diz o garoto, que toca na banda de rock Arquiduques e passou a compor músicas em português.


Mas a descoberta não foi tão simples. Ele confessa que, na primeira vez que ouviu o disco "Tropicália ou Panis et Circenses", achou o som chato. "Tive que ouvir umas três vezes para começar a entender."


No extremo oposto, Paula Montes, 18, que era defensora ferrenha da MPB e tinha um certo preconceito contra o pop internacional, passou a se interessar também pelo rock estrangeiro quando conheceu melhor a tropicália.


A mudança aconteceu depois que ela leu um livro sobre o movimento. "Eles quebraram padrões e tabus quando misturaram a música brasileira com elementos de fora", diz. Amiga de Paula, Luiza Colonnese, 18, concorda: "Acho muito criativa essa mistura de ritmos. Foi um dos movimentos artísticos mais inovadores."


Para o estudante Tomás Bastos, 17, -que está fazendo uma monografia sobre o tropicalismo para a escola- o principal mérito do movimento foi a abertura para outras culturas. "Hoje em dia, com a globalização e a internet, isso é meio inevitável. Mas, naquela época, aceitar influências externas foi um rompimento", observa.


Críticas


Como conseqüência desse rompimento, os tropicalistas foram criticados por intelectuais, por artistas e pelo pessoal adepto das canções de protesto. "A galera mais de esquerda começou a policiar, dizendo que eles eram alienados. Mas eles tinham uma consciência política, só que não faziam parte de nenhuma doutrina. Colocavam a arte em primeiro plano. Para mim, essa é a parte mais bonita", diz André Mourão, 17, que também estudou o movimento na escola. Para Pedro Cipis, 17, artistas como Caetano, Gil e Tom Zé souberam respeitar o legado tropicalista ao longo de suas carreiras. "Eles não têm preconceito com nenhum tipo de música. Até hoje gravam canções consideradas bregas, se apresentam com cantores populares", diz.


Jovens roqueiros


Tatá Aeroplano, 32, das bandas Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro, também reconhece a influência do movimento na música atual. "Ele marcou profundamente uma época e, ao mesmo tempo, é contemporâneo. Sua essência parece que se torna cada vez mais forte para as novas gerações", diz. Bonifrate, 26, da banda carioca Supercordas, destaca a importância dos Mutantes. "Fiquei chocado quando ouvi pela primeira vez. Já me entusiasmavam timbres esquisitos e estruturas imprevisíveis de canções. Mas nunca havia imaginado algo assim".

Com GUILHERME BRYAN , colaboração para a Folha .
Vídeo Tropicália:

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Glauber Rocha entrevista Luis Carlos Maciel!

Da série "pérolas do Youtube", Glauber Rocha entrevista Luis Carlos Maciel - o guru da contracultura! Trecho do programa "Abertura", exibido na extinta TV Tupi.




Enjoy!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Andamento do processo... the house is down!

Bueno, duas coisas!

Andaram me perguntando do Sr. Patrick Moraz. Famigerado, mas ao mesmo tempo, não tão conhecido assim! Para os curiosos que nunca ouviram o músico, aqui no blog amigo, tem um álbum do rapaz de 76.
O comentário do blog de lá é:
"Patrick Moraz é um excepcional tecladista e pianista. Suiço de nascimento, porém Brasileiro de coração ao compor este disco de belíssima concepção musical, tomou por base o ritmo da batucada brasileira, convidando vários nomes de renome do mundo do samba para acompanhá-lo na "salada" ritmíca deste álbum.Convém lembrar que Mr.Patrick, também teve a árdua tarefa de substituir o inigualável Mestre Rick Wakeman no Yes em um dos mais belos trabalhos desta Banda, o álbum Relayer que brevemente postaremos por aqui."
Agora, a hora da verdade:
Fizemos uma reunião ontem, eu e Ana Paula, para discutirmos o andar da carruagem psicodélica que nos consome. Chegamos a seguinte conclusão: Houston, we have a problem. Na verdade, não é exatamente um problema, mas uma situação de desespero... que vai passar...rs! Contabilizamos 28 entrevistas feitas até agora, e isso é ótimo. Mas a questão é que ainda faltam 22 entrevistas, 12 capítulos para serem escritos, revisados, diagramados... até novembro. Horas e mais horas de fitas que precisam ser transcritas... nhé! Mas blz. Para os curiosos e interessados na causa acadêmico-psicodélica eis a situação atual (Capítulos, entrevistas feitas e entrevistas que faltam):
Introdução
Entrevistas Feitas:
-Jorge Mautner
-Ezequiel Neves
-Nelson Motta
-Luis Carlos Maciel
-Luis Calanca
- Senhor F
Faltam:
-Amarilis
-Jaques
-Antonio Peticov
Ronnie Von
Entrevistas feitas:
-Ronnie
-Arnaldo Saccomani
-Zé Guilherme
-Marcito
Falta:
-Cozella
Som Imaginário
Entrevistas feitas:
-Milton Nascimento
-Zé Rodrix
-Tavito
-Fredera
-Wagner Tiso
Faltam:
-Robertinho Silva
-Naná Vasconcelos
-Luis Alves
Vímana
Entrevistas feitas:
-Lobão
-Luis Simas
-Ritchie
-Fernando Gama
Faltam:
-Candinho
******LULU SANTOS!!!!!******
Liverpool
Entrevistas feitas:
-Mimi Lessa
Faltam:
-Fughetti
-Marcos Lessa
-Edinho
Serguei
Entrevistas feitas:
-Serguei
-João (biógrafo do Serguei)
Lula Côrtes
Entrevistas feitas:
-Lula Côrtes
Faltam:
-Zé Ramalho
-Laílson
-Zé Teles
Ave Sangria
Entrevistas feitas:
-Marco Pólo
-Almir
Faltam:
-Paulo Rafael
-Zé teles
Módulo 1000
Entrevistas feitas:
-Daniel Romani
-Luis Simas
-Eduardo Leal
Faltam:
-Wander Borges
-Candinho
Spectrum
Falta:
-Caetano
-S. Quimas
Arnaldo Baptista (todas as entrevistas serão feitas em setembro, quando os Mutantes voltarem da Europa)
-Arnaldo
-Sérgio Dias
-Dinho
-Mário Pacheco (biógrafo)
Final (faltam todas)
-Jupiter Maçã
-Violeta de Outono
-Mopho
-Críticos de música (hj)
Com muita fé em Sto Expedito planejamos terminar de fazer as entrevistas até o final de agosto! Vamo que vamo que a fé não costuma faiar...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Psicodelia Brasileira Recomenda:


O Arquivo do Rock Brasileiro é um projeto criado e mantido pela Associação Cultural Dynamite, com patrocínio da Petrobras, através das Leis de Incentivo Fiscal, e tem como finalidade o resgate e a reunião de gravações musicais, depoimentos, revistas, livros, fotos, objetos, artefatos em geral, relacionados ao universo do Rock produzido no Brasil, desde seus primórdios até os dias de hoje. Instalado no Museu da Imagem e do Som, a partir de julho de 2007, esse projeto inclui ainda shows, exposições itinerantes pelas principais cidades do país, publicação de livros, CDs e DVDs, entre outros eventos paralelos. Faltava apenas isso para a definitiva aceitação e inclusão do Rock na cultura brasileira.
Nesta primeira fase, o projeto Arquivo do Rock Brasileiro engloba as origens do estilo (ainda nos anos 1950), passando pelo estouro protagonizado pela Jovem Guarda (anos 1960), até sua maturidade (anos 1970), visando resgatar o que de melhor fizeram artistas como Tony Campello, Albert Pavão, Jerry Adriani, Made in Brazil, Casa das Máquinas, Tutti Frutti e tantos outros que foram esquecidos pela grande mídia. Desde suas primeiras gravações em 1955, o rock brasileiro tem muito que contar e muito do que se orgulhar nestes 52 anos de história e batalhas. Para começar, conciliou-se com dois grandes "inimigos": os 'Nacionalistas', que não admitiam um ritmo estrangeiro no Brasil, e os 'Rockers' mais radicais que só aceitavam rock norte-americano ou inglês. Pois bem, os 'Nacionalistas' se esquecem de um fato muito simples: em toda a história da música popular brasileira, sempre houve gêneros e ritmos estrangeiros que, chegando ao Brasil, se adaptaram a ponto de ganharem status de música brasileira. De modo que temos a valsa brasileira, o tango brasileiro, o fox brasileiro, a guarânia brasileira. Então por que não rock brasileiro? Quanto aos demais "in", lembraremos que o rock foi o ritmo estrangeiro mais bem difundido em todo o mundo, e em qualquer país há roqueiros dos melhores; no caso do Brasil, Roberto Carlos, os Mutantes e o Sepultura são apenas três nomes cultuados em nível mundial. O que até agora distinguia o rock brasileiro de outros países era menos preocupação com sua memória. Lá fora temos premiações como o Rock And Roll Hall Of Fame, museus como as filiais do Hard Rock Café, muitas gravadoras dedicadas a reedições como Rhino e Rev-Ola, sem falar em inúmeras listas de discussões e portais na Internet. No Brasil, país famoso pela "falta de memória" até em relação á MPB tradicional, consideremos então o rock brasileiro. Apenas alguns abnegados se dispunham a recuperar gravações raras, coletar depoimentos, pesquisar e escrever livros. Apesar de todo o sucesso do rock brasileiro, somente Roberto e Erasmo Carlos, Celly Campelo, Rita Lee, Raul Seixas e Secos & Molhados possuem seus trabalhos efetivamente re-editados em formato de CD, ainda em catálogo, com obras disponíveis em lojas, mas ainda assim com lacunas. A chamada Jovem Guarda tem sido objeto de um bom resgate; faltava quem resgatasse o rock brasileiro como um todo, especialmente suas origens, desde o início em 1955 até sua maturidade nos anos 1970. Agora não falta mais.
Vai lá no MIS!
ServiçoExposição Arquivo do Rock BrasileiroDe 11 de julho a 5 de agosto
Térreo Sala Alex Vallauri e 2º andar Anexo Sala Multimídia
O MIS fica na avenida Europa, 158.
Funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 21h.
Ingressos (espaços expositivos): R$ 3 e 1,5 (meia-entrada). No sábado, a entrada é franca.
Tel.3062.9197/ 3088.0896
Estacionamento: R$ 5 e R$ 10
OBS> Nas fotos: De cima pra baixo, da esquerda para a direita - Lanny Gordin, Eduardo Araújo, Secos e Molhados, Julio Medaglia,Tony Ozanah e Walter Franco, Liminh, Jorge Mautner

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Lobão e etc e tal

Na foto: Fernando Gama, Lobão, Luiz Simas, Lulu Santos, Ritchie - Vímana

Notícia I - Entregamos os dois primeiros capítulos (Introdução e Ronnie) para avaliação. Tiramos 9. Ficamos muito felizes, afinal, entregamos o texto sem ler na verdade e só form descontados erros bobo, de português, digitação e etc, além de uma cobrança em relação ao estilo do texto que ainda não foi bem definido. Vamos mudar o capítulos de introdução bastante, então não postaremos agora, mas o capítulo do Ronnie aparecerá por aqui em breve.

Notícia II - Ontem passamos um bom tempo entrevistando o Lobão, pro capítulo do Vímana. A entrevista foi SENSACIONAL. E isso não é pra puxar saco, não! O gato-garoto foi muito simpático e falou tudo, sem firulas, com bastante empolgação. Contou histórias de brigas da banda, de momentos legais, do tão falado affair com a então mulher do Patrick, de Lulu Santos, da admiração pelos companheiros de banda - tudo com muito carinho, como boas lembranças.
Vou transcrever esta fita e logo posto alguns trechos. Estamos atrás da irmã do Lulu Santos, da Lilian. Segundo o Lobão ela tem um belo arquivo de coisas do Vímana. Se alguém souber...

Bueno, é isso!

Aguardem os próximos capítulos!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Zeca Jagger

Ezequiel Neves em um porta-retrato, ao lado dos Paralamas, na estante de sua casa

Com um sofrido atraso, vamos falar de Ezequiel Neves. Mineiro só de RG – ele citou a frase de Otto Lara Rezende sobre o estado natal: “a pessoa que nasce em Minas se não sair de Minas é porque nasceu com defeito”. Foi o primeiro jornalista dedicado ao rock – tinha uma coluna no Jornal da Tarde e, posteriormente, na Rolling Stone de Luiz Carlos Maciel. Por isso, Zeca foi um de nossos primeiros entrevistados.

Subimos a ladeira do morro do Pavãozinho, na divisa de Ipanema e Copacabana, na manhã de 18 de março. Ele mora em um simpático predinho na boca do morro, e se diverte chamando o lugar de “little peacock”. O apartamento foi dado por Cazuza, de quem foi produtor e mentor espiritual e carnal. Zeca está com 73 anos, cansado, mas fez a gente rir muito. Não deixou que o fotografássemos, mas deixou que documentássemos a casa e seu fantástico arquivo de bugigangas. Divirtam-se com os retratos da casa e com alguns trechos da longa conversa.



Psicodelia

“Eu tô psicodélico, estão entendendo? Começaram a me dar umas injeções de o que agora substitui penicilina (era cortisona, ele lembrou depois). Fiquei sem memória, mas ahhh... não, é a mesma coisa que tomasse ácido. Começaram me dar uns remédios, eu fui num, eu tava fumando um baseado, vocês querem? Eu tenho. Aí comecei rir muito, estava com um amigo meu aqui, ai começou a sair sangue do meu nariz e ele disse nossa! Que é isso? Eu falei assim, não é nada não. Aí no outro dia eu estava em um restaurante com outro amigo meu, esse mais sério, aí de novo, ele disse ‘assim não é possível, você está em uma idade que tem que se tratar’, eu falei deve ser uma sinusite mal tratada, porque eu cheirei muita cocaína e quando tem a cocaína boa no Brasil, eu cheirei toda e não deixei pra mais ninguém. Aí fui fazer um exame, essas coisas de por a gente dentro de máquinas, psicodélico!”

E Zequinha trocou de óculos...

“Eu com essa coisa de enxergar com essa visão tripla, enquanto eu to deitado, acordo eu vejo tudo nítido, eu levanto já atravesso aqui esse espaço, saio do quarto, entro no banheiro, lavo a cara, escovo os dentes e aí venho aqui pra cozinha. Quando chego na cozinha eu já estou inteiramente psicodélico”.

“Eu fiz sete anos de teatro profissional em São Paulo, a maior porcaria que eu já fiz na minha vida, mas foi ótimo, porque eu trabalhei muito enquanto eu estava com calor na bacurinha, o teatro foi bom, entrava um dinheirinho e eu já escrevia sobre rock”



Música

“Ai, banda psicodélica brasileira, a pior de todas e o grande nome que foi é Mutantes, eu gostava, não sei se tenho do primeiro disco dos mutantes, os outros eu achava um horror. Eram muitos mal informados, era um deboche que não era nem tropicália, nem era da personagem deles, era uns engraçadinhos de São Paulo, Rita Lee a rainha da afonia, cantora tem voz bonitinha, Arnaldo inteligente mais doido, Sérgio insuportável.

Eu não estou podendo fumar, mas vou fumar, to com minha... Eu vou te falar uma coisa sincera. Depois dos Mutantes eu não conheço mais banda psicodélica brasileira não!”




“Módulo 1000 era chato, não era psicodélico não! Era muito chato e tocava muito mal e essa ainda eu peguei dois shows em 72, entende? (...) Ah, o show era muito chato, o Módulo mil teve o seguinte: era muito conceituado no subúrbio como a última, da última da grande da última descoberta, aí eles posavam de grande grupo. Eu fui vê-los num festival promovido por eles, que eles eram a maior atração, o resto das bandas nem com lobotomia eu vou te levar. Eles ficavam em tendas, fazia aquela coisa tipo Woodstock, o camarim que eram especiais, muito cheiro de incenso... um lixo”.

“O Som Imaginário de Minas? Uma porcaria, aquilo era bad trip, aquilo era bad trip não era psicodelia. Som Imaginário nunca foi psicodélico aquilo é mineiro bichado é muito chato. O Milton com aquela voz de branca, não! Eu gosto de Wagner Tiso, não acompanho a carreira dele não, ele debocha muito de mim porque eu falei que o Clube da Esquina, nem que fosse uma esquina da Broadway eu passava, aí ele vivia com ódio de mim”.


Língua de cascavel

“Eu não escrevia sobre música brasileira, em Minas eu escrevia, minha coluna era aberta, mas em São Paulo não! E sabe porque? Eu sempre tive língua de cascavel. Era mais cômodo pra mim falar das bandas do estrangeiro. Nunca mexi com os daqui, porque brasileiro tem mania de ser orgulhoso, oh bando... Aí teve um dia que falei mal de Caetano, aliás somos amicissímos... Mas dei uma cutucada nele, pra que? Os alibabás e os 400 mil baianos ficaram com ódio”

Mas do que ele gostava, afinal?

“Ave Sangria era maravilhoso! Eles fizeram um disco só, né? Aquela mulher vestida de pássaro, as pessoas do Ave Sangria eram muito doidas, tinha um que era colega meu no Jornal da Tarde, eu lembro que quando eu entrei com a coisa, ele chegou pra mim e falou: ah, vc gostou? Eu disse assim: adorei! E ele disse: é, eu sou desse grupo”.

Há poucas semanas, a Aline e a Ana estiveram novamente na casa de Ezequiel. Elas levaram a ele um compilado com várias bandas da época, para ele se lembrar. Entre elas, o Ave Sangria, que Zeca não ouvia desde 1969 - de acordo com o próprio.

A seguir, um vídeo com a panorâmica da casa:





Obs.: as opiniões acima expressas são de responsabilidade de Ezequiel Neves

Vida longa a Zeca Jagger!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Psicodelia Brasileira recomenda: 70 de novo!!!


"Acredite em Afrodite e sinta que o amor está à solta"

A dica de hoje é esta festinha organizada pela nossa querida Amarilis!!!! Estaremos lá com certeza! Quem curte o blog não deveria perder!


Celebração dos 40 anos do Verão do Amor com Zé Brasil & Silvia Helena (Apokalypsis),Gerson Conrad (Secos e Molhados), Osmar Murad (Sunday), Norba Zamboni (Blues on the Rocks), Nelson Pavão (Made in Brazil), Carlinhos Júnior & Carlinhos Machado (Acapulco Golden), Márcio Espíndola, Plínio Secanechia e surpresas. RAM (Rock After Midnight) Session no final.


Quinta-feira dia 28 de junho a partir das 20 horas.The Wall, rua Treze de Maio, 152, Bixiga, São Paulo.R$ 10,00 na porta e R$ 8,00 na lista apokalypsis2006@terra.com.br

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Zé Rodrix e Tavito: por dentro do Som Imaginário

Na última segunda, eu e Aline fomos ao Clube Caiubi entrevistar nada menos do que Zé Rodrix e Tavito, personagens fundamentais na construção do Som Imaginário. Foi incrível! Os dois, muito simpáticos e solícitos, contaram histórias hilárias daquela época que definem como "a melhor de suas vidas". Amigos de décadas, tinha horas em que eles esqueciam da entrevista e lembravam das histórias que passaram juntos. E Zé Rodrix dizia: "lembra, Tavitinho?".



Já falamos um pouco da banda por aqui: era um caldeirão sonoro formado por Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão), Fredera (guitarra), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira (percussão) e Naná Vasconcelos (percussão). O dream team da mpb formou-se em 1969, no Rio (não em Minas, ao contrário do que muitos pensam) para acompanhar um estreante mineiro no Teatro Opinião. O show "Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário" foi um tremendo sucesso e rendeu ao grupo seis meses de temporada, fama e um contrato com a Odeon para gravar um disco.


Robertinho Silva, Naná Vasconcelos e Milton Nascimento

"Som Imaginário" saiu em 1970 e colocou o grupo no topo do desbunde. Zé Rodrix e Tavito confirmam as lendas que se formam ao redor da banda: não, não ensaiavam, tocavam de improviso e eram todos muito, muito doidões. A Odeon deu toda a liberdade criativa - e seria um prejuízo se não fizesse isso. Cada instrumento vai para um lado, mostrando as habilidades de cada um dos músicos, num resultado harmônico totalmente vanguardista. E os integrantes... eram daquele jeito: cabeludos, doidões, hippies, maconheiros, magricelas, viviam pelados,pregavam a paz e o amor livre, acreditavam em um mundo melhor. Eles chegaram a tocar na Globo, no programa Som Livre Exportação e acompanharam Gal Costa, que já era diva. E, no underground, viveram o desbunde carioca em sua melhor forma - conviveram com outras bandas vanguardistas da época, como o Módulo 1000, e tocaram no Festival de Guarapari, o famigerado Woodstock brasileiro.

Quase quarenta anos depois, Zé Rodrix e Tavito lembram as boas e as más épocas da banda. Os dois saíram do Som Imaginário por problemas e divergências internas, e caíram no sucesso: Elis Regina gravaria no mesmo ano "Casa no campo" imortal composição dos dois.

Se você for de São Paulo e quiser conhecer Zé Rodrix e Tavito, eles vão direto no Caiubi. Se não, assista a alguns trechinhos do papo:




segunda-feira, 25 de junho de 2007

Módulo 1000

Bueno, primeiramente, passo a assinar meus posts pra evitar possíveis problemas...

Bueno II - não aguento mais dar a desculpa de falta de tempo, mas é o que rola... perdoem-nos...

Bueno III - last, but not least, este post é sobre o Módulo 1000. Já entrevistamos a banda inteira! Estamos muitíssimo felizes com o resultado das entrevistas. A maioria delas ainda está sendo transcrita mas acho que já dá pra ter uma noção com algumas coisas que posto agora. Gostaríamos de agradecer ao pessoal da banda: Todos foram muuuuuuuuito especiais, mandaram material, scannearam fotos, matérias de jornal e, principalmente, trataram-nos com muito respeito e seriedade... muitíssimo obrigada! Vamo que vamo!!!!







Com vocês, Módulo 1000

O Módulo 1000 é, sem dúvida, dentro do meu critério pessoal, uma das bandas mais psicodélicas de nossa seleção. Por que? Pelos seus shows bizarros, pelas letras curtas, pelas frases sem sentido, pela música pesada, progressiva, pelos happenings, pelo único disco... enfim, discorda? concorda? nunca ouvi? então escuta!



O que é o Módulo 1000?

O jornal Rolling Stone, em sua edição nacional, de número 4 (21 de janeiro de 1972) trazia na segunda capa (interna) anúncio de página inteira com o disco. Está lá escrito: "Nosso som é o som do mundo para ser sacado e curtido" - Módulo 1000, com a foto do quarteto e a capa do disco, trazendo apenas o nome da banda e da obra - "Não Fale Com Paredes". Uma estréia que prometia, mas que enfrentou resistências, mesmo dos setores mais roqueiros da mídia, inclusive do próprio RS. A razão da reação adversa de alguns é, ao mesmo tempo, o grande trunfo do álbum: o som progressivo, altamente técnico, que, ao contrário das críticas, não deixava de manter o pé no rock e da psicodelia. Integravam o grupo carioca, os músicos Luiz Simas (órgão, piano e vocal), Eduardo (baixo), Daniel (guitarra) e Candinho (bateria). (Fernando Rosa, publicado originalmente na Showbizz)





Algumas curiosidades:

Módulo 1000 foi o nome escolhido pela paixão de Daniel pelos módulos espaciais!

Turpe est cine crine caput - é feio uma cabeça sem cabelos... hã? Sim, a música dizia exatamente isso. Pq? Pq sim, ué. Não tem uma explicação mirabolante, para a decepção de muitos... Mas, segundo o Daniel, era a música que a censura encrencava por achar que carregava uma mensagem subliminar subversiva.

Por outro lado, o título do disco é uma afronta... uma mensagem direta à ditadura: NÃO FALE COM PAREDES. Segundo os autores, falar com a censura, com a ditadura, era falar com paredes.

O disco na verdade não é o disco em si. Entendeu? É assim: o que foi gravado não era um projeto final. Uma coisa muito bem elaborada - segundo o guitarrista Daniel Romani. Eram testes. Mas eis que de uma hora pra outra apareceu a oportunidade e gravaram o que existia de concreto e pronto...

Sabem aquele tubo que o Dave Grohl usa na música "Generator" (ahhhhhhhh esqueci o nome e ninguém aqui lembra tb!!!!!)? Aquilo é uma invenção brasileira... INVENÇÃO DO MÓDULO 1000! Pasmem! Acreditem ou não! Sim, eles tb deram um nome que eu também não lembro agora, mas este negócio foi fruto de uma experiência sonora deles. A banda ficava reunida, testando, inventando, e eis que nasceu o filho "famoso". Tem até foto!

O Plim Plim da Globo é criação de Luiz Simas, tecladista do Módulo 1000



Quer saber como era um show do Módulo 1000? O Luiz Simas conta:





"Era um show muito diferente, que não se faz hoje em dia, entende? Vou te dar um exemplo. Tem esse show teatro da praia. A gente alugava um teatro e dava um show em teatro. É um dos lugares que a gente tocava. Por exemplo, no show do teatro na praia, o público entrava, e na platéia tinham manequins sentados, espalhados pela platéia, entende? Manequins assim de roupa. E o show começava com uma projeção na cortina fechada, uma projeção fazendo aquele “rorarr”. (faz barulho imitando leão). E é bem por aí, o show era todo cheio dessas coisas interessantes, e tinha muito solo. E também nesse show no teatro na praia pela primeira vez eu usei um sintetizador. Fui a primeira pessoa no Brasil a usar um sintetizador. Naquela época não existia aqui. E era um sintetizador pequeninho, era do tamanho de uma maleta de executivo. Na época não tinha nem teclado, eram só os efeitos. Os botões com efeitos. E usei isso no show. Então o módulo 1000 era isso. Ah, teve um outro show também, que foi no teatro de arena, foi um show muito importante. Eu esqueci o nome agora, mas foi no teatro de arena no rio, no largo da carioca, com 3 grupos. Era o modulo 1000, o terço e o outro grupo... ai meu deus...era do paulinho machado o grupo... bom, esses três grupos tocavam dentro de um teatro em três partes de um triângulo. Assim um lá em cima em um lugar, o outro totalmente a esquerda e o outro totalmente a direita. Isso ai to falando, a gente tocava por trás da platéia. Que eu me lembre... como é que era mesmo? Eu sei que a gente tocava bem separado, um do outro. E a platéia é uma platéia redonda, porque é um teatro de arena, mas quando o pessoal entrava no teatro, eles tinham q entrar por uma cerca de arame farpado e ficavam separados os grupos por arame farpado. Eu não entendo muito bem, até hoje não sei porque. É uma concepção que o diretor teve pra fazer isso. Eu sei que no palco tinha a mulher do empresário fazendo pipoca. Enquanto a gente tocava. Então tinha essas coisas bem malucas. Um das coisas que eu não posso esquecer de falar, é que tinha um empresário que foi também o empresário de outras bandas do rio, que foi to importante no que eles chamam hoje de rock psicodélico. Ele dava a maior força pra essas loucuras. O nome dele era Marinaldo Guimarães. Eu acho que lee é muito importante você colocar no livro. Ele dava a maior força pra gente ser o mais maluco possível, e ele não era assim, um bom empresário de negócios, não era o forte dele. O forte dele era mais concepção, maluquice, loucura. "



O Luiz Simas é pianista/tecladista e mora hoje em Nova York. Olha só o que ele anda aprontando:






Quer mais? Assim que tivermos as transcrições eu posto, quem sabe com um pouco mais de capricho...rs...
Enjoy!